Jornalistas e CNDH de Moçambique afirmam existência de corpos abandonados

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Agência VOA

Comissão Nacional de Direitos Humanos considera de "grave e preocupante" a existência de corpos abandonados.

5 de maio de 2016

A Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) de Moçambique pediu o acesso incondicional de entidades nacionais e internacionais aos locais onde existem denúncias de corpos abandonados.

Em conferência nesta quinta-feira, 5, em Maputo, o presidente daquele instituição pública Custódio Duma classificou de "grave e preocupante" a existência de corpos abandonados no centro do país e advertiu que Governo deve "criar condições necessárias para que seja realizada uma investigação séria, independente e transparente nos locais mencionados, quer seja por entidades da sociedade civil, religiosas ou instituições de direitos humanos". O caso, disse Duma, "está a criar interesse, não só em Moçambique, mas também fora".

Ontem, 4, o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHR, em inglês) disse à VOA por e-mail estar em contacto com as autoridades moçambicanas depois de ter recebido alegações sobre uma vala comum em Gorongosa.

“Temos, de facto, recebido alegações sobre uma vala comum na Gorongosa, no entanto, ainda não pudemos verificar essas alegações por falta de acesso ao local”, disse aquele órgão com sede em Genebra que solicitou o acesso à área onde foi denunciada a existência da vala comum.

Histórico

A denúncia da existência de uma vala comum na zona 76, no posto administrativo de Canda, interior da Gorongosa, foi feita por camponeses na quarta-feira, 27. As mesmas fontes disseram que vários corpos, alguns já em ossadas, estavam estatelados numa antiga escavação a céu aberto, de onde se extraía saibro para as obras de reabilitação da N1, a principal estrada de Moçambique. Ainda ontem (4) outro grupo de camponeses reconfirmou a existência dos corpos, junto à área onde foi descoberta a vala comum.

Na sexta-feira, 29, o porta-voz da Polícia da República de Moçambique (PRM), Inácio Dina afirmou ter enviado uma equipa ao local que não encontrou qualquer vala comum. Anteontem (3), a PRM voltou a dizer não ter encontrado qualquer vala comum, mas continua a bloquear o acesso ao local.

No fim de semana, um grupo de quatro jornalistas deslocou-se ao local mas não conseguiu chegar à zona indicada pelos camponeses por estar bloqueada por forças da polícia e da segurança. Entretanto, os repórteres encontraram e fotografaram cerca de 15 corpos já em decomposição nas imediações do local.

Uma equipa do Movimento Democrático de Moçambique (MDM) também deslocou-se ao local e, de acordo como seu presidente Daviz Simango, não conseguiu chegar ao local devido à forte presença policial e militar. Simango, que disse ter ficado chocado com as fotos, pediu uma investigação às denúncias.

Um grupo de sete jornalistas, de órgãos publicos e privados, reafirmou quarta-feira a existência de corpos espalhados pelas matas entre a região de Muare e Tropa, uma área limitrofe entre Gorongosa (Sofala) e Macossa (Manica), onde na semana passada camponeses denunciaram a existência de uma vala comum, que as autoridades insistem em desmentir.

O grupo integrava uma equipa de 15 jornalistas que seguiam na comitiva do Governo de Sofala para investigar a denúncia, mas sete profissionais desobedeceram a orientação governamental de regressar, sem investigar, como disse à VOA José Jeco, do CanalMoz.

A imprensa moçambicana relatou hoje mais corpos que terão sido encontrados próximos do local denunciado por camponeses. Mesmo assim, a polícia não reagiu ainda às novas imagens revelados pelos jornalistas.

Fontes

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