João Cabreira venceu a Volta ao Algarve

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19 de fevereiro de 2006

O português João Cabreira foi o inesperado vencedor da 32.ª edição da Volta ao Algarve. O corredor da Maia-Milaneza impôs-se no Alto do Malhão, meta da quinta e última etapa, sucedendo a Hugo Sabido na lista de vencedores da prova algarvia. Após quatro dias de intenso domínio estrangeiro, na derradeira oportunidade os portugueses finalmente puxaram dos galões e tomaram o comando.

««Estou muito contente. A época passada não me correu bem e não me consegui afirmar no Carvalhelhos-Boavista. O Manuel Zeferino deu-me a oportunidade de vir para o Maia. Trabalhei muito desde outubro para conseguir esta vitória, que era um dos objectivos da equipa»», referiu o corredor poveiro. ««Antes do início da subida, não acreditava que pudesse ganhar, mas no final acabou por ser possível»», finalizou. De referir que a formação de Manuel Zeferino demonstrou também a sua força colectiva, ao triunfar na classificação por equipas.

A quinta tirada da Volta ao Algarve, uma viagem de 183,4 km entre Vila Real de Santo António e o Malhão (Loulé), apresentava um percurso de grande dureza, de sobe e desce constante. Dos 142 corredores que partiram, 53 não conseguiram chegar à meta. O mau tempo, com chuva e frio, foi uma presença quase constante. A primeira meta volante, ao quilómetro 3, abriu as hostilidades, numa caça às bonificações, com o então líder Gert Steegmans a superar Hugo Sabido e Robert Förster.

Após a passagem pela meta volante do Restaurante Alpendre, onde Rik Verbrugghe passou na frente, formou-se um grupo de fugitivos, composto por Tiaan Kannemeyer (Barloworld), Benjamin Noval (Discovery Channel), Frédéric Guesdon (Française des Jeux), David Garcia (LA Alumínios-Liberty Seguros), Frédéric Bessy (Cofidis) e Hélder Oliveira (Madeinox-Bric-A.R. Canelas). No entanto, este grupo apenas conseguiu alcançar uma vantagem de 1’34”, sendo rapidamente absorvido. Quando a caravana chegou ao terreno montanhoso, Sérgio Ribeiro (Barbot-Halcon) e Jorge Torre (Paredes Rota dos Móveis) atacaram, passando por esta ordem nas três contagens de montanha de 3.ª categoria, em Barranco-do-Velho, Portela do Barranco e Califórnia, com o pelotão a não lhes permitir grandes veleidades.

Sob chuva e frio intensos, mas também com muito público a assistir, o pelotão entrou na subida final. O vencedor do ano passado, Hugo Sabido, destacou-se, lançando um ataque suspresa, que não iria resultar. Foi então que João Cabreira partiu em busca da vitória, chegando à meta com 7” de vantagem sobre o jovem holandês Robert Gesink, e 21” sobre André Vital e a estrela David Rebellin. Gert Steegmans chegou 23” depois, tempo insuficiente para manter a camisola amarela.

Fontes

António Dias. Cabreira é o grande vencedorCycloLusitano, 19 de fevereiro de 2006