Invasão do Capitólio expôs potencial de violência do QAnon

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31 de março de 2021

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Muitos seguidores da teoria da conspiração QAnon se veem como guerreiros lutando contra pedófilos adoradores de Satanás que governam o mundo, mas o motim de 6 de janeiro no Capitólio dos Estados Unidos perpetrado por apoiadores do ex-presidente Donald Trump expôs o potencial de violência do movimento que surgiu na internet em 2018 e agora possui milhões de adeptos em todo o mundo.

Pelo menos 34 adeptos do QAnon participaram do cerco e invasão do Capitólio para impedir a certificação da vitória eleitoral do Presidente Joe Biden, enquanto 32 outros cometeram crimes com motivação ideológica antes e depois deste evento, totalizando ao menos 66 casos de conduta criminosa. Os dados são de pesquisadores do Consórcio Nacional para o Estudo do Terrorismo e Respostas ao Terrorismo (START) da Universidade de Maryland, que realizaram a pesquisa mais abrangente já feita sobre as atividades criminosas do grupo.

Os 34 membros do QAnon que participaram do incidente no Capitólio representam mais de 8% dos cerca de 400 manifestantes que foram presos até o momento - o que demonstra uma presença maior de seguidores da teoria do que havia sido estimado anteriormente. O número deve aumentar à medida que o FBI continua investigando o caso, disse Michael Jensen, pesquisador do START.

Embora a grande maioria dos seguidores do QAnon não defenda a violência, o relatório mostra o potencial do movimento para a violência, uma avaliação feita pela primeira vez pelo FBI em 2019. "Nem todos os extremistas violentos são jihadistas ou supremacistas brancos. Muitos vêm desses grupos de teorias da conspiração também", disse Jensen também.

Um pouco da história do QAnon

O movimento QAnon cresceu no final de 2017, quando um membro anônimo começou a postar informações no painel de imagens do 4chan sobre uma suposta conspiração de pedófilos adoradores de Satanás e elites globais que estaria buscando minar Trump. A teoria nunca se confirmou, mas a conspiração sobreviveu.

O primeiro ato criminoso conhecido inspirado no QAnon ocorreu em junho de 2018, quando o seguidor Matthew Wright teve um impasse com policiais no meio de uma ponte do Arizona, de acordo com Travis View, co-apresentador do podcast Anônimo do QAnon.

Wright exigiu a divulgação de um relatório do Departamento de Justiça sobre a investigação envolvendo a Rússia que ele acreditava que "revelaria todas as coisas que o estado profundo estava supostamente fazendo", disse View. "Ele certamente foi motivado pela ideologia QAnon", acrescentou View, dizendo também que "muitos seguidores do QAnon têm esse senso de retidão moral de que estão lutando em uma cruzada muito nobre e isso permite que eles [usem] como justificativa moral para fazer algumas coisas muito perigosas e criminosas, que é o caso de todos os extremistas".

O START sobre o QAnon é parte de uma pesquisa em andamento sobre a radicalização nos Estados Unidos, em meio a uma grande preocupação no país sobre o extremismo doméstico violento após o incidente no Capitólio.

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