Há 10 anos, Banco do Brasil era acusado de fazer propaganda subliminar pelo terceiro mandato de Lula em "decida pelo 3"

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8 de agosto de 2017

Nesse mês, completa-se os 10 anos da propaganda publicitária do estatal Banco do Brasil (BB) sobre o lema "decida pelo 3 (três)", que no entanto, veiculada em emissoras de rádios, TVs, jornais, revistas e até internet, gerou polêmica ao ser acusada de ser propaganda subliminar a favor do então presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

A campanha foi criada por Saulo Ângelo, Marcos Minini e Renan Molin, com direção de criação de Claudio Freire e Luciano Toaldo. Os filmes são da Margarida, com direção de Christiano Metri. A trilha sonora é da YB.

Histórico

As ações da campanha de sustentabilidade do Banco do Brasil iria desenvolver ao longo do ano. A primeira fase abrange o público interno e contempla ações de endomarketing e marketing viral. Já a segunda fase da campanha foi voltada ao público externo e ter peças gráficas, anúncios, internet, filme e spot para rádio.

Na primeira semana de agosto, todos os edifícios do banco no país amanheceram com suas fachadas diferentes. Em todos os cantos, os funcionários do BB se deparavam com cartazes, adesivos e outras peças com o número 3.

O que alguns acreditavam ser “uma contagem regressiva” ou “um B de Banco do Brasil” era, na verdade, um teaser para a nova campanha institucional do Banco. Depois de 3 dias de muita expectativa, os funcionários receberam, via intranet, um filme de 3 minutos.

Nesse curto filme, conta a história do planeta e da humanidade e mostra como foram mudando nossos rumos ao longo do tempo. E que são as decisões que podem garantir um futuro sustentável para todos.

Daí surge o 3: um convite para que cada pessoa tenha três atitudes por dia pensando na sustentabilidade do planeta. No site do banco, consta peça publicitária sobre a sustentabilidade e a propaganda estimula a prática de três ações diárias pelo planeta. Conforme o anúncio, o “3” indica “2 + 1 = 3” e que se refere a “três atitudes pensando na sustentabilidade” do meio-ambiente. A mensagem diz:

O planeta é todo seu; tome 3 atitudes por ele todos os dias.

Apenas três. Em todo lugar que você vir esse número, saiba que ali existe uma maneira de cuidar do meio ambiente, das pessoas e do país.

Propaganda do Banco do Brasil

Marcelo Romaniewicz, do VP de planejamento da Master disse:

Menos discurso, mais ação. Essa campanha começou da porta para dentro porque, antes de convidar as pessoas tomar as 3 atitudes, o Banco deixa claro, com sua atuação e com as atitudes de seus funcionários, que já faz isso há muito tempo.

Marcelo Romaniewicz

Kiko Vicente, também da VP, em Operações na agência, afirmou:

A intenção desta campanha é mobilizar os colaboradores do banco a realizar ações de sustentabilidade a partir de mudanças de atitudes cotidianas e torná-los agentes multiplicadores.

Kiko Vicente

Claudio Freire, direção de criação da propaganda, acrescentou.

O 3 mostra como é simples agir de maneira sustentável. Além disso, ele simboliza também uma mudança criativa na Master. Estamos eliminando a linha que separava o above e o bellow the line. Agora, os responsáveis pela criação de qualquer campanha pensa no filme, na internet, na comunicação dirigida, em PDV e até no adesivo de interruptor de luz. A campanha do 3 foi criada por um redator e dois designers.

Claudio Freire

Na foto, há uma garota branca de olhos claros, que aparenta ter pelo menos uns 10 anos de idade e com braços abertos, vestindo camisa amarela com manga curta enrolada e um enorme número 3 amarelo estampado em destaque no círculo azul.

Reações

Depois da propaganda ser veiculada no site do banco, nas emissoras de rádios e TVs, revistas e jornais, provocaram uma grande controvérsia na opinião pública brasileira nos dias que se seguiram. Diversos sites críticos ao Lula e adeptos às teorias conspiratórias, acusaram a propaganda de querer induzir ao povo brasileiro, o terceiro mandato presidencial para Lula, embora a Constituição brasileira limita dois mandatos presidencial.

Na época, era o desejo da parte dos petistas de emplacar um terceiro mandato ao Lula, citando o exemplo de Hugo Chávez da Venezuela, já que os possíveis candidatos (José Dirceu e Antonio Palocci) tiveram suas chances de serem sucessores de Lula serem atingidas por denúncias de corrupção no Mensalão. Porém, uma ala dos petistas queriam um sucessor, só que atrelado ao Lula, uma espécie de marionete do Lula.

Em pronunciamento no dia 14 de agosto, numa quarta-feira, em Plenário do Senado, o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) anunciou que pretende solicitar ao Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar) a suspensão da campanha publicitária do Banco do Brasil, por entender que a peça, que além de ter custado R$ 10 milhões de reais na época, contém mensagem subliminar de apoio a um terceiro mandato do então presidente Lula na época.

Heráclito Fortes, fez questionamento ao exibir na tribuna do Senado Federal, a camiseta, desta vez em cor azul, que compõe o kit da campanha, na qual se vê estampado o número 3 sem nenhuma identificação de algum logotipo do banco ou órgão responsável pela confecção do material. Na avaliação de Fortes, a campanha "rasga" a Constituição pois, em sua avaliação, começa a ser especulada no país a tentativa de um golpe para induzir a população a pensar em um terceiro mandato para Lula.

A campanha tem um objetivo duplo. E por que não quatro? E por que não cinco? E por que não seis ações? (...)

A campanha ou é subliminar ou é de uma imbecilidade e falta de objetividade para um banco com o porte do Banco do Brasil que os autores merecem ser punidos.

Heráclito Fortes, senador pelo DEM do Piauí.

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) manifestou apoio aos argumentos de Heráclito. Em sua avaliação, a campanha é autoritária e foi realizada com dinheiro público. Já os senadores Sibá Machado (PT-AC) e Eduardo Suplicy (PT-SP) garantiram a Heráclito Fortes que um terceiro mandato não é cogitado pelo presidente Lula.

Consequências

A acusação dessa propaganda do Banco do Brasil, em fazer alusão ao terceiro mandato de Lula ou algum sucessor dele, não teve alguma publicação ou cobertura na mídia tradicional (sites, rádios, TVs, jornais e revistas), apesar de serem acusadas de serem críticos ao Lula.

Depois da propaganda ser muito mal recebida pela opinião pública, o Banco do Brasil decidiu suspender a propaganda depois ser denunciado no Conar pelo senador Heráclito Fortes, mas apesar dessa suspensão há 10 anos, sua campanha está disponível no até hoje, onde pode ser visto aqui.

O então presidente Lula reagiu a denúncia no Conar pelo senador Heráclito Fortes, fazendo comentários agressivos contra o senador, perdendo compostura como Chefe de Estado e do Governo da Nação.

Entre outubro a novembro, o Partido dos Trabalhadores promoveu o terceiro encontro nacional, o que chamou atenção a estrela do partido aparece o "3", gerando ainda mais a suspeita de um terceiro mandato.

Em 2010, o então presidente Lula conseguiu seu terceiro mandato, desta vez através da sucessora Dilma Rousseff, que depois começar bem o mandato em 2011 (demitindo ministros acusados de corrupção), a partir de 2012, começou ser acusada de ser uma marionete de Lula (após conseguir abafar o escândalo do Carlinhos Cachoeira, privô do primeiro escândalo do Governo Lula em 2004).

Fontes

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