Guerrilha islâmica promete que vai lutar contra o novo governo da Somália

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25 de fevereiro de 2009

Baidoa, Somália — A guerrilha islâmica Al-Shabab (“A Juventude”, em árabe), que se tornou nas últimas semanas o grupo rebelde mais poderoso e violento da Somália, prometeu ontem combater até o final contra o novo presidente do país, Sharif Sheik Ahmed.

"Sheik Ahmed é pior que [o presidente anterior] Abdullahi Yusuf Ahmed", disse à emissora catariana "Al Jazira" Mukhtar Robow, porta-voz militar do Al-Shabab, grupo responsável pela morte de 11 soldados burundienses da missão internacional de paz no país.

Rowbow, mais conhecido como "Abu Mansoor", afirmou que seu grupo percebe "as forças de paz da Missão da União Africana (Amisom) como inimigos de Deus", o que o fez acrescentar que serão "alvo dos ataques" que os rebeldes realizarem.

A entrevista foi realizada em Baidoa, no centro da Somália, cidade localizada a 250 km de Mogadíscio, onde o movimento Al-Shabab conquistou a cidade em 26 de janeiro, realiza sua campanha para derrubar o novo Governo somali.

O presidente da Somália, o fundamentalista islâmico moderado Sharif Sheik Ahmed, líder da Aliança para a Nova Fundação da Somália, foi eleito pela maioria do Parlamento somali no dia 31 de janeiro em Djibuti, após a renúncia no dia 29 de dezembro de Abdullahi Yusuf Ahmed.

Na entrevista, ele também explicou que seu grupo está lutando contra o novo presidente por seu fracasso na implantação da sharia (lei islâmica):


Achamos que o fato de não impor a sharia é um gesto de infidelidade, e este Governo tem que ser combatido até que seja capaz de se estabelecer a lei de Deus
'

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Combates

Subiu para 23 mortos e 90 feridos em combates violentos entre a guerrilha Al-Shabab e forças governamentais em Mogadíscio na terça-feira, um dia depois do retorno à Somália do presidente eleito, Sharif Sheikh Ahmed. Os milicianos islâmicos armados atacaram as forças pró-governo no distrito de Taleh, zona sul da capital somali, o que desencadeou os combates.

Pelo menos 18 civis e cinco oficiais das forças de segurança morreram nos combates entre as tropas governamentais e os militantes do partido islâmico Hizb al-Islamiya (“Partido Islâmico”, em árabe), um dos dois grupos de oposição ao governo ao lado dos islamitas radicais do Al-Shabab.

Um balanço anterior registrava 14 mortos e 50 feridos. Os combates desta terça-feira são os mais violentos registrados em Mogadíscio desde a retirada das tropas etíopes do país, no fim de janeiro. Os civis são as principais vítimas dos combates que afetam Mogadíscio há dois anos.

Os rebeldes islâmicos atacam com frequência as forças de segurança e as tropas de da Missão da União Africana (AMISOM) em áreas muito povoadas, provocando respostas com artilharia pesada.

A Somália vive em guerra civil desde a queda do ditador somaliano Mohamed Siad Barre em 1991, mas a atual fase da guerra civil começou quando tropas da Etiópia invadiram a Somália no final de 2006 e derrubaram do poder o grupo islâmico União dos Tribunais Islâmicos (UTI) e reinstalou o governo derrubado no mesmo ano em 2007. A UTI derrotada foi logo extinta. O governo que foi reinstalado pela Etiópia, com apoio das tropas de paz, luta contra outro grupo islâmico, que era integrante da extinta UTI, Al-Shabab.

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Fontes