Ataques na capital da Somália matam 15 e ferem 60 pessoas

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24 de fevereiro de 2009

Mogadíscio, Somália


Pelo menos 15 pessoas morreram e 60 ficaram feridas hoje em Mogadíscio, capital da Somália, na sequência de confrontos entre militantes islamitas e forças do governo de transição do país africano.

De acordo com a CNN, que cita um médico do Hospital Medina, da capital do país, deram entrada nesta unidade de saúde maior parte das vítimas. “Confirmamos a entrada de 50 civis que foram feridos nos tiroteios de hoje e o hospital já está sobrelotado”, disse Mohamud Mohamed.

Horas antes, eram 11 mortos e 45 feridos. Funcionários do mesmo hospital indicaram que 45 feridos deram entrada nesta unidade após o conflito. "Mais vítimas estão a ser trazidas para aqui com os combates ainda em curso", disse o médico Dahir Dheere, citado pela Reuters.

Os combates irromperam na Praça Taribunka, na parte sul da cidade, quando os milicianos islâmicos armados atacaram as forças militares pró-governo no distrito de Taleh, zona sul da capital somali, o que desencadeou os combates.

Ambos os lados dispararam artilharia pesada. Testemunhas dos incidentes indicam que os rebeldes chegaram a lançar morteiros contra o Villa Somalia, o palácio presidencial. Há relatos de que uma mãe e o seu bebé perderam a vida depois de a sua casa ter ficado destruída.

Estes combates foram descritos por alguns residentes como os mais sangrentos desde que as tropas etíopes deixaram Mogadíscio, em 15 de janeiro.

Este ataque acontece horas depois que o presidente recém-eleito da Somália, Sharif Sheikh Hassan, ter regressado a Mogadíscio, vindo do vizinho Djibuti, onde esteve trabalhando para a formação de um novo governo, resguardado da violência que afeta o seu país.

Os rebeldes islâmicos, liderado pela Al-Shabab, estão a dois anos em conflito com as autoridades somalis. Desde então mais de 16 mil civis já morreram e um milhão de pessoas teve de abandonar as suas casas, sendo que mais de um terço da população depende de ajudas.

Já no último domingo o grupo islâmico Al Shabab matou 11 soldados do Burundi, depois que o grupo utilizou dois homens-bomba e um carro-bomba contra tropas de paz da União Africana em Mogadíscio. O grupo garantiu que vai continuar mais ataques às forças da União Africana.

A Somália vive sem um governo pleno que controla de fato o país desde 1991, quando grupos armados derrubaram o ditador somaliano Mohamed Siad Barre, que governava desde 1969. Os grupos que derrubaram o ditador, não conseguiram formar novo governo e lutam entre si.

Condenação

No mesmo dia dos ataques, a União Africana (UA) condenou o ataque perpetrado domingo contra as forças burundesas da missão de paz da UA na Somália, fazendo 11 mortos e 15 feridos graves.

Num comunicado publicado em Trípoli, capital da Líbia, país árabe no norte da África, o presidente em exercício da UA, o Muamar Kadafi, denunciou vigorosamente esta agressão bárbara contra as forças dum país africano vindas em nome do continente para fazer reinar a paz, restabelecer a segurança e a estabilidade.

A UA sublinha que este ataque não vai impedir a organização de progredir nos seus esforços que visam fazer sair a Somália da espiral de violência e dos conflitos que a afetam há mais de 15 anos.

O presidente em exercício da UA exortou os responsáveis somalis a evitar tais ações, a apoiar e a juntar-se ao esforço africano que visa assegurar ao seu povo uma vida pacífica e segura e a trabalhar para a reconstrução do seu país no quadro dum espírito de fraternidade e de reconciliação nacional.

A mesma fonte indica que Kadafi enviou uma mensagem de condolências ao presidente burundês, Pierre Nkurunziza, pela morte dos soldados do seu país.

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Fontes