Governo diz que vai impedir a CPI da Petrobras hoje

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Agência Brasil

15 de maio de 2009

Brasília, Distrito Federal, Brasil


O ministro de Relações Institucionais, José Múcio, disse em coletiva de imprensa, que o governo tentará reverter até o fim do dia a instalação da CPI da Petrobras. O assunto foi tratado durante reunião pela manhã com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Alvorada.

“Vou trabalhar durante o dia com os líderes, senadores e aqueles que nos ajudam para convencer os parlamentares a manter o acordo que foi feito ontem, de que o presidente da Petrobras [José Sergio Gabrielli] falaria numa comissão daqui a dez dias. Se as dúvidas fossem sanadas, não haveria CPI", disse. “Todo mundo foi surpreendido com essa quebra de acordo”, completou.

Segundo ele, o presidente e o governo estão tranquilos. “A Petrobras é nossa maior empresa, que gera muitos empregos nesse momento de crise.”

Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que não acredita que seja do interesse de quem for o candidato do PSDB à Presidência da República, em 2010, a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado para investigar a Petrobras. Na avaliação de Lula, o partido ficou nervoso e, segundo ele, não se ganha eleição com nervosismo.


Não é uma CPI do Congresso Nacional. É uma CPI muito mais do PSDB. Acho estranho que um partido que já governou o país por oito anos tome uma atitude irresponsável como essa. Irresponsável porque parece briga de adolescente. Não há nenhuma explicação lógica para esta CPI.
Lula


Lula afirmou que neste momento em que o governo brasileiro visita outros países, "buscando dinheiro para financiar a exploração do pré-sal, alguém levantar a idéia de uma CPI contra a Petrobras é, no mínimo, ser pouco patriota".

“Não acredito que isso seja do interesse dos governadores, do possível candidato do PSDB. Possivelmente seja de interesse de pessoas que estão a um ano e meio do final do mandato, e não têm certeza se voltarão como senador”, disse Lula a jornalistas na base aérea de Brasília, antes de embarcar para nove dias de viagens a três países: Arábia Saudita, China e Turquia.

Para Lula, o PSDB parece ter ficado nervoso e que assim, ninguém ganha eleição. “Assim ninguém ganha eleição, perdi três eleições muito nervoso. Quando eu fiquei calmo eu ganhei. Então meu conselho é que, se alguém quiser ganhar a eleição, que não fique nervoso”.

Lula negou que tenha havido um “cochilo” do governo em relação à leitura do pedido de instalação da CPI, ocorrido no Senado na manhã de hoje, já que ontem havia sido fechado um acordo entre os líderes dos partidos.

“Esse governo passa acordado 24 horas por dias, então, não tem cochilo do governo. O governo não controla o Congresso Nacional, ele é livre, autônomo. A informação que eu tive é que havia tido um acordo”, disse.

Lula disse também que o país não pode viver uma eterna CPI. “Não acho que haja irregularidade [na Petrobras] e nem tudo que tem irregularidade precisa fazer CPI. O país não pode viver uma eterna CPI, tem outros meios de investigação”.

Questionado se poderia haver retaliações do governo aos que apoiaram a criação da CPI, Lula respondeu que não.

Dilma Rousseff

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse hoje que a instalação de uma CPI para investigar possíveis irregularidades na Petrobras pode prejudicar os negócios da empresa.

“Sem dúvida. Se você é um investidor, o que você acha de uma empresa na CPI?”, respondeu a jornalistas com quem conversou na Base Aérea de Brasília, onde acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que embarcou para viagens internacionais por três países.

Na avaliação da ministra, não há necessidade de instalação de uma CPI para investigar a Petrobras. “Ao que tudo indica ela [a Petrobras] não tem nenhuma irregularidade”. Para Dilma, "a questão da necessidade ou não da CPI é do Congresso. Não achamos que tenha essa necessidade”, afirmou.

CPI

Até a meia-noite de hoje os 32 parlamentares que assinaram o documento para a instalação da CPI para investigar a Petrobras ainda podem retirar os nomes da lista. O número mínimo de assinaturas para o documento ser aceito é de 27.

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