Em Brasília, CPI dos Correios ouve Mauricio Marinho

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21 de junho de 2005

Brasil — A reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga o escândalo dos Correios espera começou às 18:54 (hora local, 21:54 UTC). A comissão ouviu o depoimento do ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), Maurício Marinho. A reunião ocorreu na sala 2 da ala Nilo Coelho, no Senado Federal.

Inicialmente houve uma longa discussão sobre as normas de funcionamento da CPMI. Descutiu-se também a natureza do testemunho de Maurício Marinho. Se o funcionário dos Correios mentisse durante o eu depoimento, ele deveria responder por isso ser preso? Não chegou-se claramente a um acordo e como a discussão ameaçou prolongar-se em demasia, o Presidente da CPMI e da sessão, Delcidio Amaral, resolveu encerrá-la e passar para o depoimento de Maurício Marinho, o que foi elogiado por alguns dos presentes.

O ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), Maurício Marinho, procurou eximir-se das responsabilidades das acusações a ele dirigidas, ao explicar que ele não tinha a autoridade nos Correios, e por causa disso não seria capaz de fazer a maior parte das coisas a ele atribuída, como por exemplo, influenciar vitórias de contratos de empresas com os Correios. Segundo Marinho, tais questões são de responsabilidade de setores mais altos na hierarquia dos Correios, aos quais ele não tinha acesso. “O poder da caneta não estava na nossa mão”, disse o funcionário.

Marinho disse que não tem nenhum envolvimento com político nenhum, mas informou que uma parte do comando dos Correios está nas mãos de políticos do PMDB, PTB e PT. Marinho disse que o diretor de Administração dos Correios, Antônio Osório, seria do PDT, e o PT teria indicado as diretorias de Tecnologia e de Operações.

Marinho citou o secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, como uma das pessoas que dirigia um dos setores dos Correios. Ele também disse que os Correios efetuaram uma compra emergencial de 500 impressoras da empresa HHP, que acredita-se, segundo Marinho, ter relações com Sílvio Pereira e o PT.

A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL) e o senador Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) questionaram em seus pronunciamentos a veracidade do depoimento de Maurício Marinho.

O funcionário dos Correios aparentemente mostrou-se tranqüilo. Segundo ele, as gravações em que ele aparece são criminosas, feitas durante vários dias por "arapongas" (agentes), montadas, com o objetivo talvez de incriminar alguém. Marinho também reclamou que na época da gravação estava doente e as pessoas que gravaram a fita se aproveitaram disso.

Sobre a imagem em que aparece a enfiar dinheiro no bolso, Marinho confirmou que ele fez isso, que foi um erro, porém negou que tratou-se de pagamento de propina.

A reunião terminou por volta das 23:35 (hora local, 2:35 UTC) e ficou combinado que ela recomeçaria no dia seguinte às 9:00.

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