CPI dos Correios ouve o depoimento de Mauricio Marinho na quarta-feira

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22 de junho de 2005

Brasil

A Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o escândalo dos Correios ouviu nesta quarta-feira, o depoimento de Maurício Marinho. Ele é o ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), suspeito de envolvimento num suposto esquema de corrupção na empresa estatal.

O depoimento de Maurício Marinho começou nesta quarta-feira por volta das 9:00 (hora local). A sessão ocorria sem maiores novidades até que em determinado momento, a senadora Heloísa Helena interrompeu-a. Ela relatou que os advogados de Marinho contaram-lhe que iriam retirar-se da sala e abandonar seu cliente porque ele não estava contando toda a verdade.

Houve um pouco de confusão. A sessão foi suspensa por uns cinco minutos para que Marinho se reunisse com seus advogados. Reiniciada a sessão, Maurício Marinho disse que estava com medo de contar toda a verdade e que receava pela sua segurança pessoal e da sua família.

Após ser tranqüilizado pelos senadores e deputados, o funcionário dos Correios reiniciou seu testemunho. Desta vez, as declaração de Marinho mudaram de rumo e ele começou a fazer denúncias, oferecendo um roteiro para futuras investigações.

Mauricio Marinho sugeriu para que se investigasse alguns dos maiores contratos da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Ele citou o banco Bradesco e recomendou uma investigação de todos os contratos firmados entre os Correios e as empresas do grupo Bradesco:

Não consigo nem enxergar a malha que envolve a ECT [Empresa dos Correios] e o [banco] Bradesco. Correto? Banco Postal é um contrato. Scopus: a empresa ganhou recentemente a manutenção de equipamentos de informática praticamente em todo o país, vinculada 100% ao Bradesco.(...)O envolvimento do Bradesco com as agências de Correio franqueadas, na postagem de objetos postais. O Bradesco também venceu todas as licitações de cartão de compras do Correio...

Ele disse que têm muitos deputados e senadores que podem ser envolvidos em possíveis irregularidades:

E por último, levantar o envolvimento dos grandes clientes da ECT que podem atingir muitos dos senhores deputados, senadores, nesse caso. Mas é para falar, tá sendo falado.

Ele acusou alguns parlamentares(sem citar nomes) de serem favorecidos através de contratos milionários de franquias dos Correios por meio de "laranjas":

Nós verificamos que de certa forma para o atendimento é bom, mas de certa forma para a arrecadação da empresa não é tão bom. Não sabemos quem é que está efetivamente por trás. Mas nós temos o contrato da pessoa que está à frente de cada agência e a informação corrente é que atrás dessas pessoas, ditas laranjas, é que se encontram alguns parlamentares. Agora, qual é o parlamentar ligado à agência X, eu não tenho essa informação.

Porém Marinho mencionou o secretário-geral do Partido dos Trabalhadores (PT), Sílvio Pereira:

Nomes, assim, detalhes de nomes, eu não sei. Mas a gente sabe quem está por trás da diretoria. Diretoria de Tecnologia: seu Sílvio Pereira [secretário-geral do PT]. Isso aí tá claro, tá.

O ministro Luiz Gushiken do governo foi citado por Marinho:

Contratos de agência de propaganda são três. Só lembro de um que é essa SMP&B [empresa de Marcos Valério, acusado por Roberto Jefferson de envolvimento no mensalão] que falam, que está na mídia e ligado ao SECOM do seu Luiz Gushiken [ministro da Secretaria de Comunicação de Governo].

O funcionário dos Correios apontou prováveis irregularidades:

Verificamos que o contrato da Xerox estava muito acima do mercado(...)Tomamos a providência de iniciar um novo processo...O contrato teve uma redução 1,639 milhão por ano.

Porto de Santos. Venceu uma empresa e não fechou o acordo com o governo atual. Mas fechou através de um contrato emergencial.

Ele mencionou que o Departamento de Tecnologia dos Correios estava nas mãos do secretário-geral do PT, e atribuiu-lhe a responsabilidade por alguns contratos da empresa:

Aquisição de contrato. Quem está por trás? Departamento de Tecnologia [comandado por Sílvio Pereira].

Ele sugeiru para que se investigasse contratos de licença para uso de software para várias empresas, incluindo a Microsoft.

Maurício Marinho também disse que o ministério da Casa Civil foi responsável pela contratação dos seis principais diretores dos Correios.

Em relação aos supostos R$ 3 mil que ele recebe e enfia no bolso, conforme é mostrado na fita, Marinho disse que tratava-se de adiantamento por uma "prestação de assessoria".

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Fontes