Derrame tóxico na Hungria causa desastre ambiental sem precedentes

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Portugal • 7 de outubro de 2010

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Um erro humano esteve na causa do rebentamento de um depósito de resíduos tóxicos, que segundo o secretário de Estado do Ambiente da Hungria, Zoltán Illés, causou "esta é a mais grave catástrofe química que o país enfrentou".

As lamas tóxicas escaparam através do rompimento do dique de um gigantesco reservatório de uma indústria de alumínio em Ajka, a 160 quilómetros da capital do país, Budapeste, tendo-se atingido três condados numa área de cerca de 40 Km². Quatro pessoas morreram, seis estão desaparecidas, 123 tiveram de ser internadas e cerca de 500 moradores foram realojados.

“Penso que não voltará a haver vida. há 99% de probabilidades de já não haver a vida como se vê agora”, afirmou um residente de Kolontar, uma das aldeias mais afectadas.

As equipas de limpeza começaram a fazer tudo para que a maré vermelha não chega-se ao rio Danúbio, que passa por Viena, Bratislava e Budapeste, a caminho de Belgrado e do Mar Negro. Mas entretanto, as autoridades alertam, que o aumento do Ph da água nos rio que desaguam no Danúbio implica que a descarga tóxica possa trazer riscos a outros países, como a Croácia, Sérvia, Roménia, Bulgária, Moldávia e Ucrânia. A limpeza destes rios que desaguam no Danúbio passa pela aplicação de um gesso industrial na água, de forma a neutralizar os altos níveis de Ph.

Contudo, esta quinta-feira o Danúbio foi já afectado, registando um PH entre 8.96-9.07, quando o seu valor normal é de cerca de 8.

As consequências do alastramento da situação para o Danúbio podem ser desastrosas, pois ao longo dos 2800 quilómetros do rio vivem cerca de 80 milhões de pessoas e 20 milhões bebem da sua água.

No âmbito da limpeza do derrame que atingiu três condados ocidentais da Hungria, ela pode demorar um ano e custar cerca de 7,8 milhões de euros, e muito provavelmente requererá ajuda técnica e financeira por parte da União Europeia, de acordo o ministro do Ambiente, Zoltan Illes.

Várias equipas lutam diariamente para tentar travar o avanço da lama tóxica, e impedir que afecte os afluentes do Danúbio, e consequentemente o importante rio.

"Uma das tarefas principais a proceder durante a parte da tarde de hoje é fechar a ruptura do reservatório”, afirmou esta manhã à estação húngara TV2 o chefe da Unidade de Desastre Naturais (NDU), Gyorgy Bakondi.

Fontes