Custo médio da dívida pública do Brasil atinge maior nível em seis anos, diz Operações da Dívida Pública

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Agência Brasil

28 de setembro de 2015

A alta do dólar, dos juros e da inflação ao mesmo tempo no Brasil aumentou os custos para o governo se financiar no mercado financeiro. O custo médio da Dívida Pública Federal (DPF) acumulado em 12 meses encerrou agosto em 15,93% ao ano, no maior nível desde fevereiro de 2009.

Segundo o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, José Franco de Morais, o principal fator para o aumento do custo em agosto foi a alta de 7,45% do dólar em relação ao real. No entanto, a taxa Selic (juros básicos da economia) e a inflação, que corrigem parte dos títulos da dívida pública, também influenciaram o custo.

De acordo com Morais, o indicador tende a se estabilizar nos próximos meses, com a manutenção da taxa Selic em 14,25% ao ano e com a perspectiva de desaceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos próximos meses.

Ele, no entanto, informou que o câmbio ainda pode provocar oscilações no custo médio da dívida até o fim do ano. “O câmbio está atravessando períodos de volatilidade. Sobe em alguns dias, mas cai em outros. É completamente imprevisível saber o impacto disso [na dívida pública]”, disse.

Ao considerar apenas a dívida pública externa, o custo médio da DPF em 12 meses subiu de 50% ao ano em julho para 62,11% ao ano em agosto. A alta, no entanto, não interfere significativamente no custo total da dívida porque a dívida externa representa apenas 5,1% da Dívida Pública Federal.

Sobre o impacto do rebaixamento do Brasil em eventuais emissões do Tesouro Nacional no exterior, o coordenador da Dívida Pública disse que o país não tem pressa nem necessidade de se financiar no mercado internacional.

“O Tesouro está atento às janelas de oportunidade [de emissão de títulos externos]. Se elas aparecerem, a gente faz emissões, mas, no momento, não temos pressa nem necessidade de fazer isso”, acrescentou.

Por causa da volatilidade no mercado financeiro na semana passada, o Tesouro Nacional lançou um programa de leilões de venda e de recompra de títulos prefixados de longo prazo que vai até sexta-feira (2). O principal objetivo do programa é reduzir as oscilações do mercado, dar uma referência de preços para os investidores negociarem os papéis.

“O principal parâmetro é dar um referencial para o mercado secundário [mercado onde os investidores trocam papéis entre si, sem comprar do Tesouro]. Nesta semana, percebemos que o mercado está mais calmo”, declarou Morais.

Apesar da queda da volatilidade, o leilão de compra e de venda de títulos de longo prazo previsto para hoje não foi realizado porque o Tesouro não aceitou os preços propostos pelos investidores.

“Houve uma dispersão grande de preços, tanto para cima como para baixo, mas o programa tem vendido e comprado papéis nos últimos dias e vai continuar até sexta-feira”, concluiu o coordenador.

Rebaixamento do Brasil

O rebaixamento do Brasil não afetou, até agora, o interesse de estrangeiros nos títulos da dívida interna brasileira, disse Morais. Segundo ele, não foi observada a saída de investidores não residentes dos papéis do Tesouro Nacional nos dias seguintes à retirada do grau de investimento pela agência de classificação de risco Standard & Poor's.

Ainda não temos os dados fechados de setembro, mas temos a percepção de que, até o momento, não foi observado nenhum fluxo de saída de não residentes.

coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, José Franco de Morais

De acordo com o coordenador, ao mesmo tempo em que o Tesouro não observou nenhuma saída significativa de recursos, o órgão constatou crescimento da demanda de investidores estrangeiros pelos papéis da dívida interna brasileira, atraídos pela possibilidade de maior retorno.

Com o dólar e os juros altos, muitos investidores estão se preparando para aplicar no país, porque acharam um melhor ponto de entrada.

José Franco de Morais

Apesar de o interesse pelos papéis brasileiros não ter sido alterado, o coordenador do Tesouro disse que os investidores estrangeiros estão trocando títulos de longo prazo por papéis de prazo mais curto. Segundo Morais, os aplicadores não precisam se desfazer de títulos prefixados de longo prazo como a NTN-F para encurtarem os investimentos.

A gestão de carteira ocorre o tempo todo no mercado financeiro e é saudável. Em momentos de aversão ao risco, os investidores tendem a encurtar a carteira. Muitos estão fazendo hedge [operações no mercado futuro] para buscar proteção em momentos de volatilidade.

José Franco de Morais

As estatísticas da dívida pública em setembro só serão divulgadas no fim de outubro. Conforme os dados de agosto, divulgados hoje (28), os investidores estrangeiros detinham R$ 488,51 bilhões em títulos da dívida interna no mês passado, equivalente a 19,14% do estoque.

Em valores absolutos, a quantia representa o terceiro maior resultado mensal, só perdendo para maio (R$ 493,4 bilhões) e junho (R$ 493,5 bilhões). Em termos percentuais, a maior participação de não residentes na dívida interna foi registrada em maio, com 20,8%.

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Fontes

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