Crise no Equador: presidente destituído consegue asilo no Brasil

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23 de abril de 2005

Lucio Gutiérrez, presidente destituído pelo congresso equatoriano está neste momento na embaixada brasileira em Quito, onde conseguiu o asilo diplomático por parte do governo brasileiro. Não há previsão de chegada de Gutiérrez ao país.

Em nota, o governo brasileiro declarou acompanhar preocupado os acontecimentos políticos no Equador, esperando uma solução pacífica para a crise política que se estende desde dezembro do ano passado, quando a parte do congresso aliada ao governo reformulou a Suprema Corte de Justiça e os novos juizes nomeados anularam os processos de 3 ex-presidentes por corrupção.

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, determinou que o Ministério da Justiça autorize o asilo territorial a Lucio Gutiérrez. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério das Relações Exteriores, o embaixador do Brasil no Equador, Sérgio Florêncio Sobrinho, está a negociar com o governo do Equador um salvo conduto para que o ex-presidente equatoriano consiga deixar o país em segurança.

Um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) decolou da base aérea de Brasília por volta das 13h40 com destino a Rio Branco no Acre. Ele permanecerá no aeroporto de Rio Branco enquanto está a ser negociado o salvo conduto e partirá para o Equador buscar Gutiérrez quando tiver autorização do governo equatoriano.

Segundo a Agência Brasil, alguns movimentos sociais do Equador, como a a Confederação Equatoriana de Órgãos Classistas (Cedocut), a Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), e a Confederação Equatoriana de Organizações Sindicais Livres (Ceosl) criticaram a decisão do governo brasileiro de conceder asilo a Lucio Gutiérrez.

Segundo a agência de notícias EFE, o governo do Equador disse que irá dar o salvo conduto para Lucio Gutiérrez deixar o país.

Onda de protestos

A situação atual do Equador se agravou com os últimos acontecimentos. Os últimos protestos, cada vez mais violentos, denotam o caos que vive o país. Nesta quarta-feira, uma mulher que viajou para Quito para apoiar Gutiérrez foi morta atropelada por um caminhão militar. No dia anterior, um jornalista chileno morreu asfixiado pelo gás lacrimogêneo utilizado pela polícia para combater os protestos. Além dessas duas mortes, 80 pessoas ficaram intoxicadas e 17 pessoas acabaram feridas segundo as autoridades de saúde locais.

Depois da notícia do asilio fornecido pelo governo brasileiro, muitos manifestantes dirigiram-se para a embaixada brasileira em Quito para protestar contra a decisão do Brasil. Foi necessário reforçar a segurança no local. Os manifestantes equatorianos não querem que Lucio Gutiérrez saia do país.

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Fontes