Confrontos entre radicais islâmicos e polícia matam 39 na Nigéria

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27 de julho de 2009

Bauchi, Nigéria

Um confronto armado entre forças de segurança e um grupo radical islâmico no nordeste da Nigéria deixou pelo menos 39 mortos ontem, segundo autoridades do país. O confronto ocorreu na cidade de Bauchi, iniciou com o ataque de um grupo de dezenas de extremistas, armados com fuzis e granadas, atacaram contra a delegacia de polícia. Os policiais conseguiram repelir e revidaram com uma incursão contra o assentamento nos limites da cidade.

Depois dos confrontos, foi decretado toque de recolher na cidade e militares controlam as principais estradas de acesso à área. Após os ataques, surgiram versões após o ataque a delegacia, testemunhas afirmam encontrado cinco corpos e a retaliação da polícia ao assentamento teria deixado muito mais mortos e feridos por tiros e as estimativas chegam a até 50 mortes.

O porta-voz da polícia, Mohammed Barau, disse que a situação está sob controle e que mais de 150 pessoas foram detidas, após os confrontos.

A polícia anunciou horas depois, ter prendido integrantes do grupo depois de uma investigação sobre a suposta compra de armas. Um arsenal foi apreendido, incluindo armas de caça, bestas, facões e uniformes do Exército, apresentados pelas autoridades ontem.

Grupo

O Governo da Nigéria afirmou que o grupo responsável pelo ataque contra a delegacia é o Boko Haram, que defende a imposição da lei islâmica, a Sharia, para toda a Nigéria. No Estado de Bauchi, onde ocorreu o ataque na cidade que recebe o mesmo nome do estado, a lei islâmica já vigora desde 2001, no norte do país. O nome do grupo, Boko Haram, significa na língua local, hausá, "educação ocidental proibida".

Testemunhas em Bauchi afirmam que o grupo é uma seita muçulmana que vem recrutando jovens há meses. Segundo eles, os seguidores do grupo são descritos como "conservadores e rigorosos" e não costumam se misturar com o resto da população, além de se opor à educação e à cultura ocidentais e à ciência.

Porém, há informações não confirmadas, de que integrantes da guerrilha islâmica do Taliban (que governou o Afeganistão de 1996 a 2001, ano que foi derrubado do poder pela ofensiva militar dos Estados Unidos, após os Atentados de 11 setembro) e árabes estão no país para treinar os negros mulçumanos para planejar e promover novos atentados na Nigéria.

Histórico

Em fevereiro, Bauchi já tinha sido palco de confrontos entre muçulmanos e cristãos, nos quais quatro pessoas morreram.

A população nigeriana, cerca de 140 milhões de pessoas, é praticamente dividida pela metade entre seguidores das duas religiões, que costumam conviver em paz. Porém as ações dos radicais mulçumanos contra os cristãos e animistas nessa década estão provocando vários casos de massacres entre dois lados.

Fontes

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