Cobertura vacinal cai no Brasil; doenças como sarampo voltam a preocupar

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Fusão de células infectadas pelo vírus do sarampo

6 de dezembro de 2020

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O medo da população em buscar as unidades de saúde em tempos de pandemia de Covid-19 e a expectativa diante da chegada de uma vacina contra a doença não deveriam atrapalhar o calendário nacional de vacinação. O alerta foi dado pelos participantes de um debate promovido no dia 02 passado pela Frente Parlamentar do Programa Nacional de Imunizações, diante dos baixos índices de cobertura vacinal registrados nos últimos anos. Antonia Teixeira, representante do Programa Nacional de Imunizações (PNI) informou, por exemplo, que só neste ano a procura por vacinas foi 70% da média dos anos anteriores.

A grande preocupação é com a volta de algumas doenças que já estavam controladas. Nereu Mansano, assessor técnico do Conselho Nacional de Secretários estaduais de Saúde (Conass), lembrou do alerta da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o crescimento de 300% dos casos de sarampo em todo o mundo em 2019. No ano anterior, segundo ele, o Brasil já tinha perdido a certificação de controle da doença.

Sarampo e pólio preocupam

Os surtos de sarampo voltaram ao Brasil com a entrada dos migrantes venezuelanos pela Região Norte do país. Eles não tinha sido imunizados em seu país de origem, que vive, há duas décadas, uma grave crise econômico-social.

Segundo a Agência Brasil em janeiro de 2019, "desde o início de 2018 até 8 de janeiro de 2019, o Brasil registrou 10.274 casos confirmados de sarampo. Atualmente, o país enfrenta dois surtos da doença: no Amazonas, onde há 9.778 casos e, em Roraima, onde foram contabilizados 355 ocorrências. Casos isolados foram anotados em São Paulo (3), Rio de Janeiro (19), Rio Grande do Sul (45), Rondônia (2), Bahia (2), Pernambuco (4), Pará (61) e Sergipe (4), além do Distrito Federal (1). Foram registrados ainda 12 óbitos por sarampo: quatro em Roraima, seis no Amazonas e dois no Pará. Os surtos, segundo o Ministério da Saúde, estão relacionados à importação, já que o genótipo do vírus que circula no Brasil é o mesmo da Venezuela, país com surto da doença desde 2017".

Em 2019, segundo o Blog Saúde, houve 18.203 casos de sarampo no país, com 16 mortes: 14 delas no estado de São Paulo, 1 (uma) em Pernambuco e 1 (uma) no estado do Pará.

O coordenador da frente parlamentar, deputado Pedro Westphalen (PP-RS), no entanto, também salientou a ameaça de que casos de poliomielite voltem a ser registrados pela falta de adesão às campanhas de vacinação.

“Nós vamos ter que aprender com a pandemia, mas não podemos deixar de lançar mão desse instrumento extremamente importante que é a vacina. A vacina do coronavírus vem depois, mas, até chegar a vacina, nós temos que continuar, uma vez que nós temos aqui no Brasil o SUS e essa pandemia nos oportunizou desnudar o Brasil de Norte a Sul, ver as diferenças sociais que existem, ver a importância cada vez maior do SUS”, afirmou.

Vacinação abaixo da média

A representante do Programa Nacional de Imunizações, Antonia Teixeira, mostrou que, em março e abril deste ano, por exemplo, a procura por vacinas foi de 70% da média dos anos anteriores. Mas, desde 2016, os índices de cobertura vacinal já vinham caindo e, no ano passado, nenhuma vacina atingiu o percentual adequado. Antonia deu exemplo da situação das vacinas pentavalente, pneumocócica, tríplice viral e contra a poliomielite no período entre 2013 e 2020 em relação ao total de municípios com cobertura satisfatória.

“Para os 5.570 municípios, as quatro vacinas que são objeto do Programa de Qualificação das Ações de Vigilância em Saúde, a gente vem observando, em primeiro lugar, que somente a tríplice viral, em dois dos anos observados, ela atingiu a meta acima de 70%. A partir daí,  nenhum ano mais e, para as demais vacinas, em nenhum dos anos, a meta de 70% dos municípios com cobertura vacinal adequada foi alcançada”, alertou.

A técnica do Ministério da Saúde apontou alguns problemas, como horário dos postos de saúde incompatível com a jornada de trabalho da população e a falta de conhecimento sobre as vacinas.

Durante o debate, o secretário-executivo do Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems), Mauro Junqueira, lembrou que a mãe ou o pai de uma criança tem que fazer 22 visitas às unidades de saúde nos primeiros 15 meses de vida do filho para cumprir o calendário de vacinação.

Fake news

Já o representante dos secretários estaduais de saúde, Nereu Mansano, acrescentou a ação dos grupos antivacina e das notícias falsas (fake news) sobre supostos malefícios provocados pelas vacinas. Ele sugeriu a integração dos sistemas de informação sobre vacinação e prioridade na divulgação do calendário nacional de vacinas.

“A gente precisa melhorar a comunicação com a sociedade, envolver outros segmentos nesse processo, precisamos monitorar o que está saindo nas redes sociais, divulgar mídia positiva; tentar fazer uma publicidade mais dirigida, mais crítica; fazer uma articulação com as escolas, creches, empresas no território para uma vacinação programada”, observou.

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