Candidato à Presidência do Guiné-Bissau é morto

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5 de junho de 2009

Bissau, Guiné-Bissau


Baciro Dabo, ex-ministro do Interior, candidato às eleições presidenciais guineenses de 28 de junho, foi assassinado por militares na sua residência em Bissau na madrugada de sexta-feira (5).

Baciro Dabo, 43 anos, era major na reserva, natural de Bijene, norte da Guiné-Bissau, ex-ministro da administração territorial e um dos candidatos independentes à presidência na Guiné Bissau.

Segundo testemunhos, por volta das 4 horas, dois veículos militares posicionaram-se simultaneamente em frente à residência de Dabo no Bairro da Ajuda (Primeira Fase na capital guineense), sendo que um grupo de militares neutralizou a segurança pessoal do candidato às presidenciais, enquanto um segundo grupo subiu ao primeiro andar da residência, matando Dabo na presença da sua mulher, Suncari Dabo.

Dabo destacou-se durante a guerra civil guineense de 1998 como segurança pessoal de Nino Vieira e elemento influente da força secreta. Durante a guerra, de 7 junho de 1998 a 7 maio de 1999, enquanto Bissau estava cercada pela Junta Militar, popularizou-se com um programa de rádio chamado «Watcha Catcheu» (expressou crioula semelhante a "Pôr Tudo em Pratos Limpos") onde denunciava a corrupção de políticos e militares.

Durante a presidência de Kumba Yala, Baciro regressa ocupando as funções na segurança do Presidente, retirando-se após conflitos com Kumba. O regresso de Nino Vieira impulsiona novamente Baciro para secretário de Estado da Administração interna, acabando por ser demitido por Aristides Gomes, sendo nomeado imediatamente conselheiro de Nino Vieira na aérea da informação.

O assassinato de Baciro Dabo decorreu durante uma suposta tentativa de Golpe de Estado. Os serviços de informações externos da Guiné-Bissau emitiram na manhã de ontem (4) um comunicado onde anunciam a detenção de Roberto Ferreira Cacheu, director da campanha de Malam Bacai Sanha, Faustino Imbali, ex-primeiro-ministro durante a presidência de Kumba Yala, Marciano Silva Barbeiro, ex-Ministro da defesa, Daniel Gomes, ex-ministro das Pescas e porta-voz do PAIGC, Veríssimo Nancassa, empresário, Tito Danfa, músico. Todos os detidos eram elementos próximos de Nino Vieira.

Constam também no mesmo comunicado Afonso Te, Sandji Fati, Domingos Indi e João Monteiro, militares na reserva e no activo, como presumíveis cúmplices na tentativa de Golpe de Estado desta madrugada. Todos estes elementos estão na capital senegalesa, Dakar.

Está confirmado também que Helder Proença, ex-ministro da defesa, foi abatido por militares na madrugada desta sexta-feira em Bissau.

O assassinato do candidato ocorre três dias depois que Paulo Mendonça, um dos candidatos independentes às eleições presidenciais antecipadas de dia 28 de junho, ameaçou assumir o poder na próxima semana, durante a audiência com o enviado da União Africana, João Bernardo de Miranda, mas não entrou em detalhes sobre a forma como pensa em assumir o poder. O candidato advertiu as autoridades que "se não forem tomadas diligência, a partir da próxima semana assumirei o poder, se o Governo não parar com as violações sistemáticas da Constituição da República".

Antes disso, Mendonça disse ainda ter o apoio de mais de quarenta mil jovens para levar acabo a sua intenção de assumir o poder.

Fontes