COVID-19: deputados ouvem pesquisador russo sobre eficácia da vacina Sputnik V

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1 de setembro de 2020

O Diretor do Instituto Gamaleya de Moscou, responsável pelo desenvolvimento da vacina russa contra Covid-19, Alexander Gintsburg disse que ela já foi aplicada em 100 pessoas – voluntários entre os próprios pesquisadores – que já desenvolveram imunidade por até cinco meses. Ele participou de reunião por teleconferência, na quarta-feira passada, 26, da comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha as ações de combate ao novo coronavírus.

Gintsburg informou que a tecnologia é similar àquela já usada anteriormente em vacinas contra o ebola e a Mers (síndrome respiratória do Oriente Médio) e acrescentou que serão necessárias duas doses da vacina, chamada Sputnik V, para cada pessoa, a fim de ampliar o tempo de imunização para até dois anos, como no caso do ebola. Cada dose contém um tipo de adenovírus humano.

A reunião começou confusa porque Alexander Gintsburg informou que estava com problemas de conexão e não participaria do evento. Os deputados Dr. Luiz Antonio Teixeira (PP-RJ) – presidente da comissão externa – e Antonio Brito (PSD-BA) – presidente da Comissão de Seguridade Social e Família – demonstraram frustração e afirmaram que a falta de informações técnicas sobre a Sputnik V poderia dificultar inclusive o apoio financeiro aos testes e à produção da vacina no Brasil.

Diante dos protestos, o embaixador da Rússia, Sergey Akopov, mostrou um grande chumaço de papel e disse que os resultados das fases 1 e 2 de testes tinham sido recebidos naquele momento na embaixada e seriam enviados aos integrantes da comissão. Em seguida, Alexander Gintsburg iniciou sua participação na audiência.


Testes em pessoas

Na reunião, o chefe do fundo soberano da Rússia, Kirill Dmitriev, informou que a fase 3 de testes da vacina (em humanos) começará na próxima semana e envolverá 40 mil russos. Ele prevê a oferta da vacina já em outubro, e disse que a produção deverá atingir 10 milhões de doses até dezembro.

Dmitriev reafirmou a segurança da vacina, a qual ele mesmo teria tomado. Os efeitos colaterais da vacina, segundo ele, são leves e semelhantes aos de um resfriado. E acrescentou que a legislação russa permite que, durante a pandemia, no estado de emergência, voluntários do grupo de risco sejam vacinados, como médicos e enfermeiros, mesmo que a vacina ainda esteja na fase 3 de testes.

Ele espera que os testes, assim como a produção, possam ocorrer também no Brasil e destacou o memorando de entendimento já fechado com o governo do Paraná com essa intenção. “Não queremos ganhar com esta vacina, queremos exportar gratuitamente. Vocês vão ver todos os números, somos muito transparentes”, ressaltou.

O embaixador da Rússia, Sergey Akopov, reiterou que a Rússia considera o Brasil um parceiro estratégico para a produção da vacina. “O Brasil tem todas as capacidades tecnológicas, científicas e humanas para ser o centro de produção e distribuição da vacina não apenas para o Brasil como para outras regiões”, salientou. “Vamos fazer todo o possível para conseguir a cooperação bilateral Brasil-Rússia”, completou.

Acordo com Paraná

O diretor-presidente do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), Jorge Callado, afirmou que a intenção é fechar acordo com o governo russo para fazer os testes da fase 3 com brasileiros e para produzir a vacina no país, após liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Dentro do nosso termo de confiabilidade, os estudos da fase 1 e 2 estão sendo enviados para nós e parte deles já estão sendo analisados internamente e serão encaminhados à Anvisa”, disse.

Após o embaixador russo informar que enviaria os resultados aos deputados, Callado acrescentou que “o estudo tem aproximadamente 600 páginas e, conforme os técnicos da Tecpar, os resultados são bem promissores”.

Etapas para registro

Já o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Marco Aurélio Krieger, salientou que a legislação brasileira também permite o registro emergencial de produtos.

“Mas neste caso, precisamos cumprir todas as etapas, embora isso possa ser feito em paralelo. Mas precisamos ter estudos fase 1, fase 2, fase 3, com número de voluntários que sejam suficientes para termos evidências de eficácia e segurança. Isso vale para todas as vacinas”, destacou.

Krieger considera importante o desenvolvimento simultâneo de diferentes projetos de vacinas para Covid-19 no Brasil, lembrando da parceria já fechada pela Fiocruz com a empresa AstraZeneca, para a produção da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford.

OMS

No dia 11 de agosto, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou oficialmente a vacina contra a Covid-19. Foi o primeiro país do mundo a registrar um imunizante para a doença, o que ocorreu antes da fase 3 de testes.

Após a divulgação, a Organização Mundial de Saúde (OMS) informou que a Rússia ainda não tinha compartilhado com a entidade os dados referentes à eficácia e segurança da vacina.

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Fontes

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