Câmara pode consultar Parlamento Europeu para solucionar crise Brasil-Espanha

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O embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró (à direita), conversa com parlamentares da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara. Autor: Marcello Casal JR/ABr

11 de março de 2008

A Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados deve consultar o Parlamento Europeu e o espanhol na expectativa de aliviar, ou mesmo solucionar, a crise entre Espanha e Brasil. A informação foi dada hoje (11) pelo deputado Ivan Valente (PSOL-SP), após visita ao embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró.

“É possível avançar nesse processo, mas é preciso um esclarecimento pleno dos fatos. Há um critério muito subjetivo para a avaliação de africanos e sul-americanos, sobretudo brasileiros, para a entrada na Comunidade Européia”, afirmou o deputado.

Segundo Valente, o embaixador deve consultar, ainda hoje, o Ministério de Relações Exteriores da Espanha para confirmar se participará amanhã (12) da reunião da comissão da Câmara. O deputado ressaltou, entretanto, que Peidró não confirma os relatos de maus-tratos sofridos por brasileiros no Aeroporto Internacional de Madri-Barajas.

Após a reunião na Embaixada da Espanha nesta terça-feira, o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, deputado Marcondes Gadelha (PSB-PB), disse que há uma orientação da União Européia para que os países que a integram aumentem o rigor na fiscalização dos latino-americanos, africanos do Norte e dos europeus do Leste que estiverem em viagem. O deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP), que também faz parte da comissão, disse que é essencial saber em detalhes quais são os critérios e regras estabelecidos pela União Européia para a entrada de estrangeiros.

Valente defende que a comissão investigue as “divergências” nas posições assumidas pelo governo brasileiro e pelo governo espanhol. “Nós somos sul-americanos e brasileiros, e o pensamento do centro nem sempre é o pensamento da periferia capitalista. O preconceito não é contra os europeus. Geralmente, é com aqueles que procuram um emprego lá [na Espanha] e até com pessoas que estão estudando lá. É fundamental que se esclareçam os fatos para evitar o preconceito, o autoritarismo, e uma ação alfandegária que, sem dúvida, humilha as pessoas. Isso é inaceitável.”

A comissão também deverá ouvir o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e a estudante de pós-graduação da Universidade de São Paulo (USP) Patrícia Magalhães, uma das brasileiras impedidas de entrar na Espanha em fevereiro deste ano. Patrícia iria participar de um congresso de física em Lisboa, mas foi detida no aeroporto de Madri, porque, segundo autoridades espanholas, não cumpria com os requisitos mínimos para a entrada no país.


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