Brasil concede pensão mensal vitalícia a viúva de guerrilheiro

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7 de março de 2008

Brasil

O Ministério da Justiça do Brasil por intermédio da sua Comissão de Anistia decidiu conceder uma anistia mensal vitalícia de R$2.520,00 (1.491,65 dólares americanos) à viúva do líder guerrilheiro marxista Carlos Marighella, morto em 1969 (época do Regime Militar) durante confronto com a polícia de São Paulo.

Segundo a Comissão, Clara Charf, 83 anos, conquistou o direito à pensão "porque teria sido perseguida pelo Regime Militar da época o que obrigou-a a abandonar a profissão de aeromoça em 1946".

Conforme informações da imprensa, Clara Charf, militante comunista, fugiu para Cuba em 1969 depois da morte do marido Carlos Marighella. Atualmente trabalha no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.

Durante a sessão de julgamento da verba indenizatória, ocorrida no Dia Internacional da Mulher, Clara disse: "Ninguém pode negar que temos hoje uma liberdade democrática graças às lutas do passado".

Defensor da luta armada, o comunista Carlos Marighella é o autor do Manual do Guerrilheiro Urbano, onde são ensinadas técnicas de combate e práticas de terrorismo dentro das cidades.

Admirador de Che Guevara e defensor da revolução comunista armada é de sua autoria a frase: "Lutamos para conquistar o poder e pela substituição da máquina burocrática e militar do Estado pelo povo armado. O governo popular-revolucionário será o grande objectivo da nossa estratégia."

Marighella fundou em fevereiro de 1968 a organização comunista ALN (Aliança Libertadora Nacional), refundação de uma outra organização revolucionária com o mesmo nome que existiu em 1930 mas que fora banida pelo governo.

A organização agia principalmente nos grandes centros urbanos, em São Paulo e Rio de janeiro.

Principais ações relacionadas à ALN

  • 4 de setembro de 1969 - Integrantes da ALN e do MR8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro) sequestraram o embaixador dos EUA Charles Burke Elbrick no Rio de janeiro, e exigiram a libertação de 15 prisioneiros, além da publicação de um manifesto revolucionário. No dia seguinte o governo concordou com todas as exigências e o embaixador foi solto no dia 7 de setembro. Anos mais tarde o cineasta Bruno Barreto transformaria o atentado no filme: "O que é Isso Companheiro?". O atual deputado Fernando Gabeira foi um dos militantes que participou do sequestro. Entre os prisioneiros libertados estava o ex-Ministro do governo Lula, José Dirceu.
  • 12 de outubro de 1968 - Um tribunal revolucionário do qual tomou parte um dos homens de confiança de Marighella e diretor do Agrupamento Comunista de São Paulo (que viria a se tornar a ALN) decidiu pela execução do Capitão do Exército dos EUA, Charles Rodney Chandler, que fazia um curso numa faculdade em São Paulo. Chandler foi executado a tiros, dentro do carro, na frente da esposa e dos filhos.
  • 1 de julho de 1970 - A ALN tentou sequestrar um avião que fazia o percurso Rio de janeiro-São Paulo-Buenos Aires. Durante a ação, um dos militantes atirou nas pernas do piloto, que mesmo assim conseguiu desviar a rota e voltar ao Rio sem que os sequestradores percebessem. A polícia atirou nos pneus do avião e conseguiu frustrar o atentado.
  • 7 de dezembro de 1970 - Ao lado da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) a ALN sequestrou no Rio de janeiro o embaixador da Suíça Enrico Bucher e assassinou seu guarda-costas. Os guerrilheiros exigiram a libertação de 70 prisioneiros e a divulgação de um manifesto revolucionário, entre outros comunicados. Em 14 de janeiro de 1971, o governo brasileiro da época concordou em soltar os prisioneiros e o embaixador foi solto sem ferimentos dois dias depois.


Fontes