Bolívia e Peru rechaçam relatório da ONU que chama à proibição da folha de coca

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Folha de coca.

8 de março de 2008

A Comissão Internacional de Entorpecentes|(JIFE), organismo da Organização das Nações Unidas (ONU) que fiscaliza as drogas, apresentou um relatório no qual sugere à Bolívia e ao Peru proibir a mastigação da folha de coca. Ambos os países rechaçaram a idéia, argumentando que esta é uma tradição ancestral nas comunidades indígenas da região.

Em seu relatório, a JIFE afirma que é necessário "que se adotem medidas sem demora com o objetivo de abolir os usos da folha de coca que sejam contrários à Convenção de 1961, incluída a prática de mastigá-la e a fabricação de mate de coca e outros produtos que contenham alcalóides da coca com destino ao consumo interno e à exportação". Também acrescenta que o consumo de coca devia desaparecer em 1989, o que não ocorreu.

O governo boliviano rechaçou com indignação e tachou o relatório de "colonialista". O próprio presidente Evo Morales, defendeu a prática além de ter ascendido à vida política como dirigente cocalero. A Bolívia anunciou que em 10 de março, uma comitiva do governo viajará até Viena, onde haverá a 51ª Reunião da JIFE, para expor seus argumentos.

Além disso os cocaleros bolivianos convocaram a uma jornada nacional de "acullicu" (mastigação de coca) com demonstrações que também se realizarão na Plaza Murillo de La Paz.

O chanceler peruano José Antonio García Belaúnde por sua vez afirmou: "já lembramosa em Viena a Junta Internacional de Controle de Entorpecentes da Organização das Nações Unidas que o Peru vai continuar respeitando o tradicional costume da folha de coca".

Peru e Bolívia, seguidos depois pela Colômbia, são os maiores produtores de coca, que também tem usos medicinais e religiosos dentro da cultura andina.


Fontes