Bispo inglês que questionou a existência do Holocausto deixa a Argentina

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24 de fevereiro de 2009

Buenos Aires, Buenos Aires, Argentina

O bispo inglês ultra-conservador Richard Williamson, que no ano passado e nesse mês colocou em dúvida a existência do Holocausto, praticado pelo regime nazista de Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) em três entrevistas, deixou a Argentina nesta terça-feira após ter recebido um prazo de dez dias do governo para deixar o país.

Na última quinta-feira, dia 19, o governo da presidente Cristina Kirchner divulgou comunicado dizendo que se o religioso não saísse do país no prazo máximo de dez dias "sem adiamento" seria expulso por decreto.

Segundo o canal de televisão argentino TN (Todo Notícias), Williamson teria "agredido" um jornalista da emissora que tentava entrevistá-lo no aeroporto nesta terça-feira antes de seu embarque para Londres.

De boné e jaqueta preta e óculos escuros, Williamson mostrou a mão fechada para a câmera e não respondeu às perguntas do repórter.

O bispo inglês entrou em abordo do vôo da British Airways com destino a Londres, disse a fonte do Aeroporto internacional de Ezeiza à AFP:


A British Airways informou que o vôo 246 com destino ao aeroporto de Heathrow, em Londres, das 14h15 (13h15 de Brasília) já decolou.
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Polêmica

O bispo ficou conhecido no mundo no final de janeiro deste ano, quando em 21 de janeiro a televisão pública sueca "SVT" divulgou uma entrevista gravada em novembro do ano passado na Alemanha, em que Williamson negou que as câmaras de gás nazistas tenham sido usadas para exterminar os judeus. Além disso, ele afirmou que no Holocausto não morreram seis milhões de pessoas, mas entre 300 e 400 mil, durante a Segunda Guerra Mundial.

No início de fevereiro deste ano, ele voltou a questionar o Holocausto em uma entrevista à revista alemã Der Spiegel, logo após pedido do Papa Bento XVI para que se retratasse das primeiras declarações. Williamson, nesta segunda entrevista da mesma revista, na semana seguinte, disse que se retrataria depois que encontrasse "provas" do Holocausto.

Suas afirmações na segunda entrevista geraram fortes críticas da comunidade judaica no mundo inteiro. Na ocasião das declarações do bispo levou quase uma crise diplomática entre Alemanha com Vaticano, quando a chanceler alemã, Angela Merkel, também pediu "esclarecimentos" ao papa, já que o Vaticano pretendia incorporá-lo à Igreja Católica.

Williamson é bispo da Fraternidade Sacerdotal Pio 10, fundada em 1969 pelo bispo francês dissidente Marcel Lefebvre, até este mês dirigia um seminário e realizava missas na localidade de La Reja, na província de Buenos Aires, onde trabalhava desde 2003.

Em 1988, ele e outros bispos desta congregação foram promovidos a bispos sem a autorização da igreja, o que levou o então Papa João Paulo II a serem excomungados. Com a morte do papa antecessor em 2005, hoje o Papa Bento XVI pretendia incorporá-los de volta à estrutura do Vaticano.

“Deixar a Argentina em 10 Dias”

Para justificar a decisão de pedir que o bispo deixasse o país em 10 dias, o governo argentino argumentou que o bispo mentiu sobre o verdadeiro motivo de sua permanência no país ao ter declarado, quando entrou na Argentina, ser um empregado administrativo de uma Associação Civil e não um sacerdote e diretor de seminário, como afirma o comunicado oficial sobre a questão:


Cabe destacar que o bispo Williamson ganhou notoriedade pública [internacional] por suas declarações anti-semitas (...). Por essas considerações, somadas à energética condenação do governo argentino a manifestações como estas, que agridem profundamente a sociedade argentina, ao povo judeu e toda a humanidade, o governo nacional decide fazer uso dos poderes de que dispõe por lei e exigir que o bispo lefebvrista abandone o país ou se submeta à expulsão.
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Fontes