Ativistas guineenses acusam segurança da presidência de rapto e torturas

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10 de outubro de 2020

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Os ativistas guineenses Carlos Sambu e Queba Sané, raptados e espancados na segunda-feira (5), acusaram um dos seguranças do presidente Úmaro Sissoco Embaló de ser o responsável do sequestro e torturas.

Em conferência de imprensa na sexta-feira (9), em Bissau, os ativistas acusaram Tcherno Bari. “Levaram-nos para o Palácio da República e nos espancaram, o autor moral e material deste rapto, chama-se Tcherno Bari, segurança de Umaro Sissoco Embalo, um faz tudo para o Presidente da República”, denunciou Carlos Sambu.

“Estava um grupo de cinco pessoas, supostamente do batalhão da Presidência e esses todos, com galhos, com fios de eletricidade, mandaram-nos deitar no chão. Foram mais de 30 minutos de chicotadas, eu levei 56 chicotadas”, contou o ativista.

Ainda de acordo com o ativista, os autores os levaram para o Ministério do Interior, de onde foram soltos na terça-feira (6), “sem culpa e sem nada, apenas com o pedido de desculpa do próprio ministro do Interior”.

No mesmo dia, o ministro Botche Cande, quando questionado por jornalistas, disse apenas que “eles dormiram bem, estão bem”.

Na quarta-feira (7), antes de deixar Bissau para uma visita a Portugal, o presidente Úmaro Sissoco Embaló, também interrogado por jornalistas, afirmou que o rapto foi “lamentável” e que o Ministério do Interior e a diretora da Polícia Judiciária iriam investigar.

Na conferência de impensa dos ativistas, o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Augusto Mário Silva, chamou de "gravíssima" e "inadmissível" a acusação de que as torturas aconteceram na Presidência da República e por homens ligados a Embaló.

“É uma denúncia gravíssima, muito grave, ao longo dos anos e da história de vários terrores que aconteceram na Guiné-Bissau nunca tinha ouvido que a Presidência da República, o Palácio da República, foi utilizado para efetivamente torturar as pessoas. Nunca tinha ouvido isso”, disse Silva.

“Não há mais nada a esperar, não há necessidade de criar comissões especiais, o Ministério Público tem de abrir inquérito, tem competência e tem magistrados competentes para efetivamente conduzir o inquérito e apurar a responsabilidade de cada um dos intervenientes neste processo”, afirmou o presidente da LGDH.

Ontem, o Procurador-Geral da República, Fernando Gomes, prometeu abrir um inquérito para apurar as circunstâncias do sequestro dos ativistas.

Fontes

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