Argentina: alerta em Buenos Aires para invasão de mosquitos

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15 de fevereiro de 2021

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Por Meteored

Há alguns dias em Buenos Aires a grande “invasão do mosquito” tem sido assunto de conversa. São muitos e estão por toda parte, não só nos jardins e pátios, mas também nas mais altas varandas e terraços. Além disso, eles têm uma maneira livre de morar dentro de casas e locais de trabalho, pois sempre encontram uma janela aberta, não só por ser verão, mas porque estando em uma pandemia é necessário sempre manter os ambientes bem ventilados e diminuir o risco de contágio de covid-19.

A presença de tantos mosquitos preocupa muito, pois a picada de alguns deles transmite doenças perigosas, como a dengue. Mas, neste caso, a primeira coisa que especialistas no assunto esclarecem é a diferença entre o mosquito Aedes aegypti (que pode ser portador do vírus da dengue, Zika e febre chikungunya) e o mosquito que está invadindo a capital argentina neste momento: embora pertença à mesma classificação superior, “Aedes”, é a espécie Aedes albifasciatus e não transmite as doenças mencionadas anteriormente.

O mosquito charquero

O Aedes albifasciatus é conhecido como "o charquero" ou "mosquito silencioso" porque a fêmea bota seus ovos na beira de poças, na lama ou na grama. Os machos se alimentam de restos de plantas e néctar, enquanto a dieta da fêmea, que detecta suas vítimas por meio do dióxido de carbono que emitem, consiste em sangue de vertebrados.

É um mosquito do meio rural e do sul, que se desenvolve inclusive na Patagônia argentina (seus ovos resistem vários meses e suportam até -10°C). Está adaptado para picar animais selvagens, por isso a sua picada é muito incômoda e até dolorosa. Ao picar, ele injeta sua saliva, que causa coceira mas não representa uma ameaça séria à saúde humana.

No entanto, biólogos especialistas indicam que as explosões populacionais de Aedes albifasciatus podem gerar problemas sociais, econômicos e de saúde, seja pelo desconforto causado pela picada em certas pessoas e animais domésticos, seja pelas doenças que a picada pode transmitir. Por exemplo, além de ser um potencial transmissor de vários arbovírus, é o principal vetor do vírus da encefalite equina ocidental, uma doença infecciosa que ataca eqüinos e para a qual não existe cura. No campo são um problema para o gado, pois sua mordida incômoda impede que os animais se alimentem normalmente, o que acaba afetando a produção de leite e carne.

As causas da "invasão"

O crescimento da população de mosquitos é um fenômeno comum na região e, sem dúvida, está relacionado às condições climáticas. Para contextualizar, primeiro se deve lembrar que durante 2020/2021 houve o fenômeno La Niña, que se caracteriza por provocar chuvas abaixo do normal na primavera na região de Buenos Aires, no litoral e norte do país. Embora não chova, a fêmea do mosquito continua a botar seus ovos no mesmo lugar e da mesma maneira; é lógico deduzir que após uma estação seca tão extensa e pronunciada como a que atingiu a região central, há um acúmulo significativo de ovos durante meses.

Os especialistas indicam que a ocorrência de chuvas pode acelerar o processo biológico para que os ovos do mosquito eclodam todos juntos, gerando explosões populacionais muito grandes de Aedes albifasciatus, como o crescimento repentino atingiu a capital. Desde a segunda-feira passada, 8 de fevereiro, as chuvas vêm ocorrendo na região metropolitana de Buenos Aires, com maior ou menor intensidade dependendo do bairro, absolutamente todos os dias da semana. Além disso, a previsão indica que continuará instável, muito úmido, e com probabilidade de chuvas até hoje, completando-se assim oito dias consecutivos de chuvas.

Assim que chegam, eles vão embora...

Especialistas afirmam que, por se tratar de um mosquito rural, que precisa de poças de água, lama ou grama para se desenvolver, é provável que em pouco mais de uma semana, assim que chegue, desapareça da cidade.

Prevenção

As picadas de mosquito em geral não devem ser subestimadas. Deve-se usar repelente para preveni-las, mas trabalhar na prevenção é o mais importante. Embora o mosquito "invasor" não tenha nada a ver com o Aedes aegypti, isso não quer dizer que se possa ficar tranquilo, já que o mosquito da dengue continua circulando e é urbano.

O Aedes aegypti continua sendo encontrado diariamente na cidade, pois se reproduz em recipientes com pouca água. A recomendação fundamental é não deixar água acumulada depois das chuvas. Vale lembrar que o mosquito transmissor da dengue é diurno (só pica durante o dia ou com a luz acesa) e tem preferência pelo sangue humano. Os pesquisadores descobriram que a presença territorial do Aedes aegypti está aumentando em Buenos Aires ano após ano e que, infelizmente, as campanhas de prevenção não têm sido muito eficazes.

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