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Após um ano do terremoto, Haiti ainda não se recuperou

Fonte: Wikinotícias
Região do epicentro do terremoto de 12 de janeiro de 2010

Agência Brasil

12 de janeiro de 2011

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Há exatamente um ano, em 12 de janeiro, um terremoto de 7,3 graus na escala Richter atingiu, por volta das 16h30, a maior parte do Haiti. Houve ainda dois tremores secundários, de 5,9 e 5,5 graus, depois do primeiro terremoto. Cerca de 220 mil pessoas morreram e 1,5 milhão ficou desabrigado. No terremoto morreram a médica Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, e 18 militares brasileiros.

O terremoto no Haiti gerou comoção mundial e reações por parte de organizações estrangeiras, de entidades civis e da comunidade internacional. Mas depois de um ano, ainda há 1 milhão de pessoas em alojamentos improvisados. A epidemia de cólera agrava a situação de alerta, pois foi responsável pela morte de 3.481 pessoas e o registro de 157 mil casos de contaminação. Imagens de prédios destruídos, lixo e falta de estrutura básica ainda marcam o país.

Palácio Nacional (Haiti), destruído após o terremoto.

Centenas de cruzes de madeira, pintadas de preto, cobrem a vala comum, à sombra de uma cruz ainda maior e de dois cartazes que proclamam, no idioma crioulo: "12 de janeiro, nunca vamos esquecer". O local tem também árvores recém-plantadas e mastros onde foram pendurados panos brancos.

A reorganização do Haiti foi resultado de uma ação coordenada pelos Estados Unidos e a comunidade internacional. Poucos dias depois do terremoto, um ciclone extratropical provocou enchentes no país. No final de 2010, o furacão Tomas atingiu o país matando pelo menos 20 pessoas e gerando mais enchentes e deslizamentos de terra.

A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que apenas 19% da população no Haiti têm acesso à água, ao saneamento e à higiene. Para especialistas, o baixo acesso às condições de higiene explica o agravamento das epidemias. A falta de comida e de emprego é outro fator de preocupação das entidades estrangeiras.

Jovem entre os escombros em Porto Príncipe.

De acordo com a ONU, de US$ 1 bilhão previsto para ser repassado ao país, apenas 72% foram repassados, registrando déficit de US$ 400 milhões. As estimativas indicam que há promessas de repasses de US$ 3 bilhões, que serão investidos em projetos de várias áreas. Só para o controle do cólera são necessários US$ 174 milhões.

Ao longo do ano passado foram inúmeras as reuniões de emergência convocadas pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Organização das Nações Unidas (ONU) na tentativa de buscar soluções para o Haiti. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi ao Haiti e ficou impressionado com o que viu. Segundo ele, o ideal era a concessão de perdão da dívida externa do país.

Ao assumir o governo no dia 1º, a presidenta Dilma Rousseff anunciou que o Brasil se unirá a Cuba para combater a epidemia de cólera no Haiti. De acordo com ela, o Haiti está na lista de prioridades da política externa brasileira.

Já em Fort-Liberté, a 290 km da capital Porto Príncipe, que a Pastoral da Criança retoma seu trabalho no Haiti, interrompido pela morte da fundadora da entidade, Zilda Arns, no tremor.

Atualmente, 250 pessoas, entre gestantes, mães e recém-nascidos, são acompanhadas por 28 voluntários.

Eleições presidenciais no país

Uma comissão especial da Organização dos Estados Americanos (OEA) verifica se houve fraude nas eleições presidenciais do Haiti, realizadas em novembro de 2010. Em meio às dúvidas, o segundo turno marcado para o próximo domingo (16) deve ser adiado e se for definido que haverá novas eleições, há o risco de vencer o prazo do mandato do atual presidente, René Préval, que acaba em 7 de fevereiro.

Acampamento no estádio nacional, em Porto Príncipe, com os sobreviventes.

“A conclusão dessa verificação ainda não foi divulgada. Mas posso adiantar que tecnicamente será impossível promover o segundo turno das eleições no próximo dia 16. Não há como organizar as eleições até lá. Também se deve aguardar o resultado da avaliação da comissão internacional para decidir o que fazer”, disse à Agência Brasil o embaixador do Haiti no Brasil, Idalbert Pierre-Jean.

Para ele, a comissão da OEA deve divulgar logo o resultado das verificações feitas pois o mandato de Préval acaba em 7 de fevereiro. “Se houver a decisão pela anulação das eleições, novas terão de ser realizadas. Isso é um problema porque o mandato do atual presidente acaba dia 7. O que vai ocorrer então?”, reagiu o embaixador.

Em dezembro de 2010, a Comissão Eleitoral Provisória do Haiti divulgou o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. Por esse resultado, ficou na frente a ex-primeira-dama Mirlande Manigat, seguida pelo governista Jude Celestin. O músico Michel Martelly ficou como terceiro colocado, não podendo disputar um eventual segundo turno.

Várias denúncias de fraudes surgiram, no entanto, como cédulas já prontas, além de desorganização, atrasos e protestos de candidatos e eleitores. Algumas seções abriram com horas de atraso e houve informações sobre eleitores que votaram mais de uma vez.

O Conselho Eleitoral do Haiti negou as acusações. As eleições também foram realizadas para a escolha de 11 dos 30 senadores e 99 deputados federais. Porém, os resultados divulgados não foram considerados pela OEA, que determinou a vistoria por parte de uma comissão especial. Nesta semana termina o trabalho da comissão.

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