Adaptação à seca ou extinção: as surpreendentes árvores-garrafa

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Mulheres africanas trabalham ao pé de um baobá: árvore é fonte de água e alimento (Foto de NoahElhardt).

10 de julho de 2021

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Por Tempo Portugal - Meteored

A meseta de Mahafaly é um território inóspito situado no sul de Madagáscar. O clima é muito agreste, com o sol a bater forte durante a maior parte do ano, enquanto a precipitação é geralmente escassa e irregular, concentrada numa curta estação húmida. Nada parece indicar que haja comunidades humanas neste planalto, embora existam algumas aldeias nos seus confins que se adaptaram a este ambiente tão hostil, tirando partido dos recursos naturais de uma forma surpreendente.

Devido à aridez que prevalece durante a maior parte do ano, a água à superfície adequada às necessidades básicas só está disponível em alturas específicas. Então, de onde é que a obtém? A resposta é surpreendente: do interior dos baobás, que em aldeias como Ampotaka funcionam como reservatórios de água.

Durante a estação chuvosa, a água é recolhida e armazenada nos troncos dos baobás, que foram previamente perfurados. Os maiores exemplares podem conter até 140.000 litros no seu interior, e, apesar disto, a árvore não morre porque a sua madeira, que é maioritariamente composta por água, não apodrece. Graças a este sistema, muitas aldeias na África e no Índico têm conseguido sobreviver durante muitas gerações.

Os fascinantes baobás são também conhecidos como a "Árvore da Vida" ou "árvore garrafa" e não fornecem apenas água. Também produzem fibras muito resistentes para fazer cordas, o seu pólen é utilizado como cola, as sementes são torradas como grãos de café e o baobá em pó é obtido a partir do seu fruto. Infelizmente, nos últimos anos, vários baobás milenares morreram como consequência da sobre-exploração dos aquíferos, pragas e dos efeitos das alterações climáticas.


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