"Não será este ano a eleição presidencial na Angola", diz José Eduardo dos Santos na África do Sul

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Agência VOA

22 de agosto de 2009

Angola


Quatro documentos de entendimentos nos domínios do Desporto e Recreação, Serviços Aéreos, Comércio e Indústria e Assentamentos Humanos, são os principais instrumentos jurídicos de cooperação bilateral entre Angola e África do Sul adoptados na sequência das conversações entre as delegações dos dois governos.

Os Acordos foram rubricados na tarde de quinta-feira (20) no palácio presidencial na presença dos dois presidentes e membros do executivo.

Foi igualmente transmitida a mensagem sobre a criação de uma comissão bilateral com vista a aprofundar os contactos nas áreas onde eventualmente ficaram pendentes algumas das questões. A VOA vaticina que uma destas tenha a ver com a necessidade do aprofundamento sobre o quadro dos movimentos migratórios, sem os burocráticos vistos que mais penalizam a parte angolana, pela necessidade que tem na importação de serviços em áreas como a saúde.

Provavelmente o executivo sul-africano, que avançou faz tempo, uma proposta de entendimento neste capítulo, quererá maior abrangência na abordagem que não se circunscreva ao levantamento dos vistos.

Mas, das conversações, terão ficado sobretudo reabertas as vias de comunicação entre as duas chefias, como aliás elas mesmo fizeram questão de sublinhar à imprensa.

Dos acordos de cooperação diz-se, de que resultarão ganhos recíprocos: a África do Sul pode ter conseguido que mais "crude" seja canalizado para a sua indústria petroquímica, o que estaria a acontecer nos últimos tempos com mais dificuldade. Pelas economias que a utilização de petróleo vai gerar no país mais postos de emprego serão criados o que mitigará, em parte, o problema do desemprego e reforçará a estabilidade social.

Por seu lado, Angola está ávida de recursos financeiros para fazer face ao esforço de reconstrução em curso.

Os dois estadistas vêm neste reencontro o momento de olhar para o futuro em bases políticas e jurídicas mais solidificadas e fizeram questão de sublinhar esta perspectiva.

Falando à imprensa logo após a assinatura dos Acordos, José Eduardo dos Santos minimizou o passado de uma relação frígida entre os dois países que julga acabada de ultrapassar.

Confrontado com a pergunta do porquê do atraso neste desenvolvimento dos dois povos, dos Santos estabeleceu a ligação dos impedimentos a factores como a guerra, o empenho na reconstrução e o esforço para a normalização constitucional, mas assegurou que "não tinha sido o passado que os trouxera à conversa. Olhar para o futuro foi o propósito da abordagem entre os dois presidentes," palavras do presidente de Angola."

Um ponto de vista partilhado por Jacob Zuma, quando complementou a intervenção do seu homólogo. "Nada de suspeito. O que não houve foi condições materiais para o estabelecimento, a este nível, de um melhor relacionamento entre os dois países" disse Zuma.

Sobre eleições presidenciais em Angola, definitivamente ficou claro que não as haverá no curto prazo. Neste contexto, foram reiterados os argumentos de colagem da sua organização à aprovação de uma nova Constituição, o que não vai acontecer este ano.

O presidente José Eduardo dos Santos respondia a questão colocada por um jornalista, sobre o método a ser adoptado para ascensão ao cargo da mais alta magistratura da nação: directo ou indirecto?

O dia de trabalhos reservava ainda ao líder do ANC o seu discurso na Bolsa de Negócios que decorreu durante o dia, reunindo empresários angolanos e sul-africanos, com estes últimos (mais de centena e meia) interessados em estabelecer parcerias.

Jacob Zuma vai nesta sexta-feira ao Bengo, como se disse ao "reencontro da História": no município do Kibaxe, esteve localizada uma das bases militares do ANC, durante a luta anti-apartheid.

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