Venezuela sem professores: quase metade dos docentes deixou a profissão

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Crianças em uma escola venezuelana

16 de janeiro de 2022

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Após as férias de Natal, a Venezuela voltou às salas de aula com um desafio constante há três anos: preencher as vagas de professores.

Entre 40 e 50 por cento dos professores vinculados ao sistema educacional abandonaram a profissão devido a salários precários, segundo a Federação Venezuelana de Professores (FVM).

Embora não trate de números exatos, o sindicato afirma que a maioria dos educadores deixa o magistério para se dedicar a empregos que geram mais renda.

“Ninguém quer estudar Educação, porque é uma carreira que não produz dividendos econômicos, que não tem a previdência que teve em anos anteriores”, alerta Orlando Alzuru, que preside a FVM há 15 anos.

De acordo com relatórios da federação, no ano passado apenas quatro graduados do ensino médio se inscreveram para serem professores de Matemática e Física.

Na opinião de Alzuru, esses cargos "estão sendo substituídos por pessoas que não têm o nível acadêmico ou pedagógico para estar em uma sala de aula. Estamos preocupados com a qualidade da educação no futuro. Estamos muito preocupados com isso, porque os alunos estão não estão aprendendo absolutamente nada, e mesmo assim estão sendo promovidos, o que é o mais grave", disse.

Com salários que não ultrapassam 10 dólares por mês na rede pública e cerca de 150 dólares por mês nas escolas particulares, dedicar-se integralmente ao ensino não permite que os educadores sequer se alimentem.

Isso é atestado por Elsa Castillo, professora com 35 anos de experiência, que hoje combina seu trabalho na escola com assessoria política e preparação de material didático para instituições privadas.

“Há aqueles que se dedicam à costura, há aqueles que se dedicam à limpeza de casas, há aqueles que lavam carros, trabalham como sapateiros. Todos os ofícios possíveis”, disse Castillo durante um protesto recente em Caracas para exigir mais rendimentos.

Com pós-graduação e mestrado em psicopedagogia e 20 anos de carreira, Claxcelis Fagúndez ganha apenas 10 dólares por mês. Por isso, tem um emprego adicional e aos fins-de-semana vende pão artesanal.

“Eu diria que a palavra sobrevivência não existe enquanto [que] o professor não procure uma forma de paliar, a forma de realizar outras ações que lhes permitam levar sustento para suas casas”, disse ele à VOA.

Fagúndez testemunhou como seus colegas abandonaram a sala de aula.

“Obviamente, seus colegas, com quem você começou e começou, são cada vez menos. Você se encontra em salas de aula praticamente vazias, desoladas, de professor assistencial, de todos os cargos, porque não há mais professores”, disse Fagúndez.

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