UNITA quer CNE vigiada pelo parlamento

Fonte: Wikinotícias

16 de fevereiro de 2022

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O maior partido da oposição angolana quer que o parlamento tenha controlo sobre as actividades da Comissão Nacional Eleitoral e disse que vai impugnar a selecção da companhia espanhola INDRA que encarregue fornecer apoio técnico ao processo eleitoral.

Numa referência a vários pedidos de diálogo com o presidente João Lourenço, o chefe do grupo parlamentar da UNITA, Liberty Chiaka, disse que o seu partido não quer perder mais tempo com quem não quer o diálogo e vai agora levantar várias questões junto do parlamento

Chiaka disse aos jornalistas que vão começar já este mês com três propostas bem definidas para debate no parlamento.

“Solicitamos uma discussão dia 24 sobre a greve dos professores do ensino superior, solicitamos também uma discussão sobre o persistente tratamento desigual dos partidos politicos pelos entes públicos, em particular os órgãos de comunicação social do estado, também vamos levar ao parlamento a questão da preparação das eleições, com o pedido de audição a CNE e a criação de uma comissão eventual constituída por deputados de todos grupos”, disse.

Em relação à greve dos professores do ensino superior a UNITA justificou a razão de a levar ao parlamento com um exemplo. “Hoje um bolseiro ganha 900 mil Kwanzas por mês, não se percebe como o seu professor catedrático que lhe ensina ganhe apenas 440 mil Kwanzas”, disse.

Quanto às eleições de Agosto a UNITA argumenta a necessidade de se criar uma comissão adhoc na assembleia nacional para seguir de perto os passos da CNE.”para acompanhar passo a passo a boa organização das eleições.”

A UNITA vai solicitar igualmente a impugnação do concurso que a CNE realizou e que teve como vencedor a INDRA, segundo a UNITA o concurso foi eivado de irregularidades graves. “O grupo parlamentar da UNITA vai impugnar o concurso publico por via do qual a CNE contratou a INDRA para prestar a logística do processo eleitoral de Agosto”, disse.

O jornal espanhol “El Confidencial” noticiou em 2018 que Luís Eduardo dos Santos, irmão do ex-presidente José Eduardo dos Santos, recebeu uma comissão de 108 mil euros da Indra em 2008 e, nas eleições de 2012, mais de nove milhões de euros desapareceram em contas na Suíça cujos donos se desconhecem.

Fontes