Trabalhadores de países pobres têm jornadas de trabalho maiores do que os de países ricos

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5 de janeiro de 2021

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Relação entre horas trabalhadas e PIB

Por Our World In Data

A prosperidade econômica em diferentes lugares no mundo hoje é muito desigual. As pessoas na Suíça, um dos países mais ricos do mundo, têm uma renda média mais de 20 vezes maior do que a das pessoas no Camboja e a vida nesses dois países pode ser totalmente diferente.

Ao considerar essas diferenças de prosperidade, uma pergunta natural é: quem trabalha mais, as pessoas em países mais ricos como a Suíça ou em países mais pobres como o Camboja?

Olhando para os dados disponíveis, a resposta é clara: os trabalhadores em países mais pobres tendem a trabalhar mais e às vezes muito mais!

Vemos isso no gráfico, na relação do PIB com o total aproximado das horas de trabalho anuais, entre Mianmar (canto superior esquerdo) e a Suíça (Switzerland) no canto inferior direito. Países Mianmar e Camboja têm alguns dos menores PIB per capita, mas as maiores horas de trabalho. No Camboja, o trabalhador médio dedica 2.456 horas por ano, quase 900 horas a mais do que o da Suíça (1.590 horas). As 900 horas extras para os trabalhadores cambojanos significam dias de trabalho mais longos e muito menos dias de folga.

Os pesquisadores do Our World in Data também descobriram que:

  • a jornada de trabalho tende a diminuir conforme os países ficam mais ricos, pois conforme a renda das pessoas aumenta, elas podem pagar mais pelas coisas de que gostam, incluindo mais lazer;
  • as pessoas conseguem trabalhar menos quando trabalham em economias mais produtivas, embora haja exceções, como nos Estados Unidos e em Cingapura, onde ser trabalha muito mais horas do que em países com produtividade semelhante;
  • as inovações tecnológicas ajudam a aumentar a produtividade e assim a reduzir a jornada de trabalho.

As lições

São os trabalhadores dos países mais pobres que tendem a trabalhar mais, e às vezes muito mais, e isto tem grandes implicações para a forma como se pensa sobre o progresso econômico feito nos últimos dois séculos e a natureza da desigualdade entre os países.

Isso significa que os residentes dos países mais pobres de hoje, como Camboja e Mianmar - e também dos países mais ricos de hoje que já foram pobres no passado - não são apenas pobres em consumo, muitas vezes incapazes de comprar alimentos e remédios, mas também são pobres em lazer: como a produtividade é baixa e eles precisam trabalhar muito para sobreviver, eles não podem se dar ao luxo de perder muito tempo com outras atividades, como estudos e lazer.

O fato de as pessoas nos países mais pobres trabalharem muito mais do que nos países ricos mostra que as diferenças de prosperidade não se devem a diferenças éticas de trabalho - elas se devem, em grande parte, a diferenças nas circunstâncias e nas oportunidades. Vale a pergunta: "quais seriam as chances de Steve Jobs se ele tivesse nascido na República Centro-Africana?" Não importa o quão duro ele trabalhasse ou a sua inteligência, é difícil imaginar que Jobs seria capaz de realizar seu potencial com uma montanha tão íngreme de desigualdade para escalar.

Assim, é visível e importante notar que todo o mundo pode perder quando pessoas excepcionalmente talentosas que vivem nos países mais pobres de hoje não têm a oportunidade de realizar seu potencial.

Encontrar formas de aumentar a produtividade é, portanto, não apenas fundamental para aumentar a produção, mas também para reduzir a jornada de trabalho, o que é necessário para o florescimento de uma sociedade.

Fontes

Nota: conforme nota no rodapé, o Our World In Data libera seu conteúdo sob um licença CC BY 4.0, que permite copiar, transformar e redistribuir o material, mesmo para uso comercial, desde que citada a fonte.

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