Temer reafirma defesa do financiamento privado em campanhas eleitorais

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Brasil • 27 de março de 2015

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O vice-presidente da República, Michel Temer, reafirmou hoje (27), na capital paulista, que defende a manutenção do financiamento privado de campanha, em uma provável reforma política. Segundo ele, muitos parlamentares pregam o financiamento público, mas, quando os jornais publicarem que serão necessários, por exemplo, R$ 120 bilhões para a campanha, virá estampado também quantas escolas e hospitais seria possível fazer com o dinheiro.

"Financiamento público é algo complicado para o nosso sistema. Acho que temos de defender o financiamento privado”, disse Temer, ao participar de debate sobre o tema, no Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). O fim do financiamento de campanhas políticas por pessoas jurídicas veio à tona, sobretudo, depois das denúncias de corrupção na Petrobras, com o pagamento de propinas por empresas que estão sendo investigadas na Operação Lava Jato. A declaração de Temer diverge da posição expressa pelo secretário-geral da Presidência da República, ministro Miguel Rosseto, que defende o financiamento público como mecanismo de combate à corrupção.

Temer defendeu ainda o voto majoritário para deputados federais, o chamado distritão. “Tenho sustentado, com relativo sucesso, que devemos mudar o sistema proporcional”, lembrou o vice-presidente. Para ele, por causa do coeficiente eleitoral, candidatos com poucos votos estão assumindo mandatos, o que não é representativo da vontade popular. A coincidência das eleições e o fim da reeleição, com os mandatos passando a ser de cinco anos, também são defendidos por Temer. Ele reconhece, contudo, que o principal obstáculo para encaminhamento da reforma política é o individualismo dos parlamentares.

Para ele, o cenário político atual não é empecilho para o andamento da pauta no Congresso. “Essa crise política que estamos passando, que não deve preocupar, ajuda a ideia na reforma política”, acrescentou o vice-presidente, Pelas estimativas dele, a reforma pode ser votada ainda este ano. “Todo fato jurídico surge quando o fato cotidiano vai se repetindo, maturando e, num dado momento, impõe-se a necessidade de normatividade sobre o assunto. Hoje há uma maturação nessa questão, que agora vai”, estimou. Temer negou que o país viva uma crise institucional e disse que o momento atual é de "dificuldade política e econômica transitória”.

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