Sub-relator da CPI pede indiciamento de 16 pessoas

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23 de novembro de 2005

Brasil


O sub-relator de Contratos da CPI dos Correios, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), apresentou na terça-feira (22) um relatório parcial que pede o indiciamento pelo Ministério Público de 16 pessoas envolvidas no escândalo dos Correios do Brasil.

As pessoas citadas no relatório são ligadas às empresas de transporte aéreo Skymaster e Brazilian Express Transportes Aéreos (Beta), os ex-presidentes dos Correios Hassan Gebrim e João Henrique de Almeida Souza, e o ex-secretário-geral do Partido dos Trabalhadores Silvio Pereira.

Se as pessoas forem indiciadas pelo Ministério Público, elas deverão responder por crimes de superfaturamento de contratos com envio de dinheiro ao exterior, falsidade ideológica, formação de quadrilha, tráfico de influência e fraudes em licitações.

Segundo o sub-relator há suspeitas de tráfico de influência praticado por Silvio Pereira . Ele teria sido procurado pelas empresas para a prorrogação do contrato com os Correios.

O sub-relator explicou que houve um acordo entre as empresas Skymaster e Beta para vencer a licitação nos Correios e operar a rede postal noturna. Ao invés de concorrerem, dividiam entre si os contratos vencidos. Os preços oferecidos pelas empresas que participavam da licitação eram superfaturados. Esses superfaturamentos teriam gerado, de acordo com a CPI, um prejuízo de no mínimo R$ 64,8 milhões para os Correios.

Cardozo disse:"Posso afirmar com segurança que havia uma verdadeira quadrilha atuando nesse setor na ECT [Empresa de Correios e Telégrafos]".

Para a CPI, as empresas envolvidas no escândalo teriam enviado dinheiro ao exterior através de operações de arrendamento de aviões das empresas Quintessential e Forcefield, com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. A Skymaster pagava até US$ 88 mil pelo arrendamento de um avião Boeing 707 e US$ 95 mil por um DC-8. De acordo com o Departamento de Aviação Civil (DAC) o preço máximo pelo arrendamento é de US$ 7,8 mil para o Boeing e US$ 35 mil para o DC-8.

A CPI apurou também que as peças de reposição eram compradas da Skytrade, com sede em Miami e em nome de Rodrigo Otávio Savassi, filho de Luiz Otávio Gonçalves, dono da Skymaster.

Para o sub-relator os contratos eram visivelmente feitos de forma simulada.

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