Shirin Neshat expõe no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio

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Agência Brasil

9 de agosto de 2002

rio de Janeiro — O Centro Cultural Banco do Brasil inaugura hoje (9), no Rio, a exposição "Entre Extremos – Between Extremes", da fotógrafa e cineasta iraniana Shirin Neshat. A mostra, idealizada e organizada pelo Instituto Arte Vive, é composta por quatro instalações de vídeo, uma sala musical e um espaço de convivência com referência literária da artista, e poderá ser visitada até o dia 22 de setembro.

Shirin Neshat nasceu no Irã, em 1958, onde viveu até 1974, ainda na era do Xá Reza Pahlevi. Filha de um acadêmico de renome, conseguiu estudar Arte em Berkeley, na Califórnia. Durante o período de estudos aconteceu a revolução islâmica do Aiatolá Khomeini (1979) no Irã e Shirin ficou impossibilitada de retornar. Na década seguinte, não produziu. E só após a primeira visita ao Irã pós revolução, no início dos anos 90, pôde retomar sua arte, agora incorporando os suportes da fotografia, do vídeo e do cinema.

Nos últimos 10 anos, tem sido presença obrigatória nas principais mostras de arte do planeta, após transformar-se em fenômeno no cenário da arte contemporânea. Atualmente, mora em Nova York. A primeira instalação a ser apresentada é Tooba, o mais recente e espetacular trabalho de Shirin Neshat. Criado para a Documenta 11 de Kassel, estreou no último mês de junho e não foi visto em nenhum outro lugar fora da própria Documenta. Tooba é uma instalação com duas grandes telas de vídeo, colocadas em oposição, com o público ao centro. Nessa obra, a lenda persa de Tooba (árvore do paraíso em farsi) é recriada por Shirin de forma poética e surpreendente em um deserto mexicano.

As outras instalações fazem parte de uma trilogia que Shirin Neshat criou entre 1998 e 2000, compostas pelas obras Turbulent, Rapture e Fervor. Apresentadas juntas, essas obras revelam uma obsessão da autora: o conceito de tabu entre homens e a mulheres no universo islâmico. Cada obra é uma evolução nesse caminho. Turbulent revela a condição de silêncio imposta ao canto feminino no Islã. Rapture, por sua vez, explora os contrastes entre homens e mulheres opostos e separados, num contexto que revela uma relação entre a rebeldia e o conformismo no território da cultura e do convívio coletivo. Fervor busca uma síntese diferente, que é a censura ao amor romântico, compartilhado por ambos os sexos, mas silenciado pelo tabu.

A sala de abertura da exposição será informativa. Nela, os vários símbolos e conceitos da cultura persa e islâmica usados por Shirin Neshat são decodificados para dar uma informação prévia ao visitante. Numa pequena sala, a referência do universo musical de Shirin pode ser ouvido e consultado. Na sala seguinte, encontra-se a instalação Tooba. E nas três salas subseqüentes, a trilogia: Turbulent, Rapture e Fervor. Ao final, num espaço com luz natural, os livros preferidos de Shirin Neshat e suas referências estão disponíveis para consulta.

Fontes[editar]

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