Randolfe interpela Facebook e Google por declarações de Bolsonaro contra vacina

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18 de junho de 2021

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O vice-presidente da CPI da Pandemia, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), requereu nesta sexta (18) a convocação de representantes do Google e do Facebook para prestar esclarecimentos sobre declarações do presidente Jair Bolsonaro divulgadas nas redes sociais.

Em vídeo publicado no YouTube (pertencente ao Google) e no Facebook, Bolsonaro afirmou que contrair o novo coronavírus confere maior imunidade contra a covid-19 que as vacinas. O comentário vai contra o consenso atual da comunidade científica, um ano e meio após o início da pandemia. 

Randolfe não chegou a dizer que pedirá a retirada do ar do conteúdo, mas lembrou que nos Estados Unidos o Facebook baniu as contas do ex-presidente Donald Trump, em razão de seguidas suspeitas sem evidências lançadas sobre o resultado da eleição presidencial americana de 2020. A divulgação de conteúdos sabidamente falsos viola as políticas dessas empresas.

— Não vamos pedir nada. Queremos saber qual a providência [que será tomada], qual o procedimento, se tem um padrão para os EUA, sede da empresa, e outro para o Brasil. Não é aceitável que qualquer um vá para a rede social, dizer que é melhor se contaminar do que se vacinar, e continuar impune — explicou Randolfe.

Para o senador Humberto Costa (PT-PE), as declarações de Bolsonaro equivalem a confessar um crime:

— Ontem o presidente da República fez uma declaração formal de culpa. Ele já tinha dito isso de várias formas, de maneira velada, mas ontem afirmou claramente. Se nada mais tivéssemos que ouvir, isto por si só incriminaria o presidente da República, em uma "estratégia" que é na verdade um crime de dolo eventual. As plataformas têm a obrigação de, em situações como essa, fazer a devida retirada desse conteúdo falso e que induz as pessoas a um comportamento inadequado. 

O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), lembrou que o número de mortos pela covid no país está perto de ultrapassar 500 mil, e que as declarações de Bolsonaro prejudicam a campanha de vacinação, custando ainda mais vidas.

— Ele continua induzindo as pessoas a não se vacinarem. O que não pode é continuar essa veiculação, porque está matando as pessoas. O Brasil já é o segundo país em mortes. Neste fim de semana provavelmente vamos passar de meio milhão de mortos. Famílias foram dilaceradas — concluiu.

Fontes

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