Professores da rede pública de SP aprendem a identificar distúrbios psicológicos

Origem: Wikinotícias, a fonte de notícias livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

23 de dezembro de 2014

Brasil

Professores da rede pública estadual paulista aprendem a detectar sinais de distúrbios psicológicos nos alunos, como depressão, déficit de atenção, transtorno bipolar, por meio de um curso promovido pela Secretaria da Educação em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O projeto Cuca Legal já chegou às escolas da capital, de Ribeirão Preto, Santos, Sorocaba e Taboão da Serra. A proposta da secretaria é expandir a capacitação para todo o estado. Neste ano, 318 professores concluíram o curso, que é ministrado por psiquiatras, neurologistas e pedagogos. Em 2013, já haviam 90 capacitados.

O objetivo é que os profissionais saibam como abordar os estudantes, ofereçam ajuda e indiquem o tratamento na rede de saúde. O curso é destinado ao professor como mediador, um educador que já atua na identificação de vulnerabilidades no ambiente escolar e ainda desenvolve ações de prevenção e mediação de conflitos, como bullying e indisciplina.

Segundo o coordenador do Sistema de Proteção Escolar da secretaria, Felippe Angeli, a ideia é trabalhar a saúde a partir de uma visão integral, incluindo orientação física e psíquica, e também retirar o estigma, muitas vezes associado a distúrbios psicológicos. “Estamos formando esses professores para que conheçam um pouco melhor a saúde mental e, caso identifiquem algum sinal que possa ocasionar problema, eles serão encaminhados para o serviço de saúde competente”, disse.

Em uma das etapas, por exemplo, os professores são estimulados a olhar com cuidado os alunos extremamente quietos. Os estudantes mais agitados costumam chamar a atenção facilmente, porém aqueles que falam pouco também podem ter algum conflito que não conseguem compartilhar.

“O papel do professor não é, e não pode ser, o de fazer diagnóstico de doença. Mas contribuímos para que ele atue como ponte para o bem-estar do jovem", completa Angeli. O projeto está associado a uma pesquisa acadêmica, na Unifesp, que investiga as melhores formas de trabalhar a questão com profissionais que não têm formação na área de saúde.

O idealizador do projeto Cuca Legal, o psiquiatra Rodrigo Bressan, afirmou que entre 14% e 20% das crianças têm algum diagnóstico psiquiátrico identificável, que geralmente tem pequena gravidade, mas já seria o suficiente para atrapalhar o desenvolvimento do aluno. “Então é fundamental que se identifique os problemas para que se possa tratar precocemente e prevenir consequências mais graves”, disse.

Para o psiquiatra, as consequências incluem queda no rendimento escolar, acompanhada do sentimento de ser mau aluno; chance de sofrer bullying e ainda problemas de sociabilidade, em que o jovem fica sem amigos e limitado do ponto de vista social. Se identificada tardiamente, “a doença tem maior chance de tornar-se crônica e persistir na idade adulta, além de tornar-se refratária [que não responde ao tratamento] com medicação ou terapia. A intervenção precoce evita o uso de medicações”, acrescenta.

“A orientação e sensibilização dos professores é fundamental”, conta Bressan. O projeto, ao longo dos dois últimos anos, demonstrou que os profissionais da educação podem aprender sobre a saúde mental, detectando sintomas e o encaminhamento para o serviço de saúde competente.

Fontes

Compartilhe essa notícia: Shared via Email Compartilhe via Facebook Tweet essa reportagem Compartilhe via WhatsApp Compartilhe via Telegram Compartilhe via LinkedIn Compartilhe via Digg.com Compartilhe via Newsvine Compartilhe via Reddit.com Share on stumbleupon.com Compartilhe via Technorati