Primeiras mortes do rompimento de barragem no norte do Piauí

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Agência Brasil

29 de maio de 2009

Piauí —

A Defesa Civil do Piauí divulgou ontem (28) que ocorreu as primeiras mortes após o rompimento da Barragem Algodões 1, no município de Cocal da Estação. O rompimento da barragem ocorreu anteontem (27), às 16h, provocado pelas chuvas na cabeceira do rio, situada no Ceará. Anteriormente, apontam o desaparecimento de três pessoas, que foram encontradas.

Segundo a Polícia Militar e os Bombeiros no estado, s primeira vítima do acidente foi uma menina de 12 anos, Francisca Maria Pereira, que morava às margens do Rio Pirangi e foi atingida pelas águas. Em seguida, a Polícia Militar confirmou a morte de um homem na faixa dos 60 anos e de uma adolescente de 14 anos.

De acordo com o técnico da Defesa Civil do Piauí, Dorival Danúnzio, a previsão é de que pelo menos 500 famílias tenham sido atingidas. Quatro helicópteros e uma equipe do Corpo de Bombeiros estão no local para ajudar os moradores, que estão sendo levados para abrigos na parte alta do município. “Muitos perderam casas. A água levou tudo, até a terra fértil”, disse.

Segundo ele, as pessoas já tinham sido avisadas sobre o possível rompimento da barragem, entretanto, os moradores não quiseram deixar o local. “As pessoas já estavam alertadas, por isso, na hora que a barragem rompeu, muitas subiram em morros”.

O técnico informou que ainda hoje devem chegar 600 cestas básicas, além de colchões, roupas, água, cobertores e medicamentos. Segundo ele, uma equipe de médicos também foi deslocada para o município.

Na manhã de ontem, o governador do Piauí, Wellington Dias, sobrevôou o local e se reuniu com o secretário estadual de Defesa Civil, Fernando Monteiro, além de prefeitos e representantes de secretarias do governo. Segundo Danúnzio, o governador pediu prioridade na assistência às famílias atingidas.

A área havia sido isolada há cerca de 15 dias, quando o governo do estado retirou todas as famílias ribeirinhas por considerar que havia risco de rompimento. As famílias retornaram a suas residências há uma semana, após o engenheiro Luis Hernane, da Empresa de Gestão de Recursos do Piauí (Emgerp), ter emitido um parecer ao governador, informando-o de que a estrutura da represa não apresentava risco de rompimento.

Segundo a assessoria do governador, a Emgerp é a empresa responsável pela recuperação da represa. Nota divulgada pelo governo do estado informou que a lâmina d'água do sangradouro da barragem, que havia diminuído bastante, permitindo o início de obras de reforço na parede externa, subiu de repente, chegando a mais de 20 centímetros de altura, por causa das águas que chegavam do Ceará. Isso acabou provocando um rasgo de cerca de 50 metros na parede da represa, ocasionando o rompimento.

Com estrutura de 380 metros quadrados, a barragem, situada a 20 quilômetros de Cocal, tinha capacidade para armazenar 52 milhões de metros cúbicos de água. Outro município fortemente atingido pelas águas da barragem foi Buriti dos Lopes, mas os danos maiores foram evitados porque houve tempo hábil para retirar as famílias das áreas de risco.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o rompimento pode ter atingido de 800 a 2 mil famílias moradoras da área rural próxima à barragem. A Secretaria Estadual de Defesa Civil trabalha com uma estimativa menor. Cerca de 500 famílias – ou 2,5 mil pessoas – teriam sido atingidas.

Fontes