Pesquisa retrata violência contra a mulher entre jovens no espaço virtual

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3 de dezembro de 2014

Brasil

A pesquisa que retrata violência contra mulheres, com foco nos jovens, divulgada hoje (3), pelo Instituto Data Popular, alerta para a violência sofrida no espaço virtual, destaca a representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman. Os dados mostram que, por exigência do parceiro, 19% dos jovens já tiveram de excluir um amigo de uma rede social e 17% pararam de conversar com um amigo virtualmente.

A pesquisa Violência contra a Mulher: o Jovem Está Ligado? foi encomendada pelo Instituto Avon e ouviu cerca de 2 mil pessoas de 16 a 24 anos nas cinco regiões do país. “Ainda não falamos do espaço virtual como um espaço reconhecível socialmente, de relacionamentos. Esse tipo de pesquisa nos permite perceber que esse é um espaço onde as relações estão se dando entre os jovens e os mesmos padrões que são dão na realidade se dão também no mundo virtual”, disse Nadine Gasman.

A representante da ONU Mulheres observa ainda que, apesar de reconhecer comportamento machista na sociedade, parte dos jovens reproduz esses valores de acordo com o apresentado na pesquisa. “O que é surpreendente é haver quase metade dos jovens aprovando valores do machismo na questão do controle e na possibilidade de as mulheres saírem sós e se vestirem como queiram. Isso provoca surpresa porque era esperado que essas situações fossem ultrapassadas pelos jovens”, observou.

A pesquisa apontou que 76% dos entrevistados, dos dois sexos, acham incorreto que a mulher tenha vários “ficantes” e 38% concordam que aquela que tem relações sexuais com vários parceiros “não é para namorar”. Revela ainda que 68% das mulheres disseram já ter levado uma cantada ofensiva e 31% foram assediadas fisicamente em transporte público.

Na enquete entre os homens que vivenciaram a violência doméstica, 64% praticaram algum tipo de agressão a alguma companheira. Dos jovens entrevistados, 43% disseram já ter visto a mãe ser agredida pelo parceiro e 47% afirmaram que interferiram em defesa da mãe. Nadine Asman considera esses dados preocupantes, pois estudos demonstram que pessoas que são testemunhas dessa violência são mais propensas a serem agressoras ou agredidas.

Fontes[editar]

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