O colapso da União Soviética levou ao fim do marxismo em Angola

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Agência VOA

30 de dezembro de 2011

Angola — O colapso gradual da União Soviética (que resultou na sua dissolução, faz agora 20 anos) teve uma vasta gama de efeitos espectaculares por toda a África: dos governos de inspiração marxista passando pelos movimentos que perderam o seu apoio, a novos conflitos alimentados por um caudal inesgotável de armas e de mercenários provenientes da antiga esfera de influência soviética.

A Guerra Fria foi descrita por muitos analistas como uma partida de xadrez geográfico entre a União Soviética e os Estados Unidos (EUA) com o objectivo de alargar ou evitar a influência comunista. O continente africano não ficou imune aos efeitos desta disputa.

Angola é um exemplo de como a situação, por vezes, se transforma numa guerra civil sem fim.

Os vencedores da guerra em Angola e os governantes desde a sua independência de Portugal, em 1975, são do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), um partido apoiado pelos soviéticos. Mas quando as tropas cubanas, patrocinadas por Moscovo, abandonaram Angola, em 1991, e a União Soviética deixou de enviar armas e ajuda, o governo angolano renunciou ao marxismo e adoptou as políticas do mercado livre.

Sousa Jamba, um escritor e jornalista angolano que trabalha para o “Semanário Angolense”, diz que o afastamento da ideologia socialista foi muito abrupta e nunca foi explicada. Diz Jamba: “Numa determinada altura, eles eram marxistas muito fervorosos e quando a União Soviética entrou em colapso, tudo o que eles disseram foi que eles iam também afastar-se do marxismo. E a minha questão é saber se eles eram marxistas porque acreditavam na ideologia ou se eram marxistas porque era conveniente, por forma a obterem o apoio da então União Soviética? Essa questão nunca foi respondida.”

Noutros países, como na Etiópia, quando a União Soviética deixou de apoiar o governo, os governantes foram rapidamente afastados do poder. Outros líderes apoiados pelos soviéticos, caso de Mathieu Kerekou, no Benin, renunciaram ao marxismo e perderam, logo a seguir, eleições multipartidárias.

Os regimes autoritários anticomunistas que os EUA e os europeus apoiaram também, lentamente, promoveram eleições multipartidárias.

Leonard Wanttchekon, do Benin, é professor da Universidade de Princeton e diz que o sistema multipartidário melhorou, mas para muitos africanos foi um desapontamento. “Desapontados não com as eleições sem si, mas desapontados pelas poucas mudanças proporcionadas pelas eleições em termos de governação e desenvolvimento proporcionado”.

O colapso da URSS em África foi também seguido pela perda de influência por parte da camada de activistas e funcionários pró-soviéticos mais educados, por uma vaga de privatizações e por um aumento da dependência nas agências de ajuda estrangeiras tendo em vista o fornecimento de serviços básicos. De acordo com Sousa Jamba, verificou-se também uma deterioração da governação: ”Nalguns desses países o que temos é a pior espécie de capitalismo, no qual as pessoas usam o Estado para roubarem dinheiro e os recursos do país”.

Para além de Angola, a Guerra Fria coincidiu com outros movimentos africanos de libertação, resultando também em violentas guerras civis e, na África Austral, com governos de minoria branca anticomunistas que resistiram à mudança durante anos a fio.

Com muitos antigos militares e pilotos soviéticos lançados no desemprego, alguns tornaram-se mercenários, operando equipamento soviético em conflitos na África Ocidental, tal como foi o caso da Costa do Marfim e da Libéria.

Outros conflitos, como os que ainda duram na República Democrática do Congo e na Somália, ainda se alimentam das armas que sobraram da Guerra Fria: obtidas mais recentemente dos paióis herdados da União Soviética, sublinhando como o colapso daquela antiga potência ainda se está a fazer sentir hoje em dia em África.

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