ONG venezuelana registra mais de 200 feminicídios até agora este ano

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11 de dezembro de 2020

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Acompanhamento da ONG Centro Justiça e Paz (Cepaz) registrou 212 feminicídios na Venezuela de 1 de janeiro a 13 de novembro. A organização fez um apelo à sociedade civil para que continue pressionando e ao Estado para que dê mais atenção a este crime.

Carolina Godoy, pesquisadora e coordenadora do Cepaz, ficou encarregada de apresentar o último relatório, que cobre de 14 de junho a 13 de novembro, quando a Venezuela ainda alternava entre uma semana de flexibilização dos setores comerciais com outro de quarentena radical.

De acordo com o monitoramento realizado, entre o quarto e o oitavo mês de quarentena, ocorreram 103 casos de feminicídios no país. “Em outras palavras, em média, há um femicídio na Venezuela a cada 28 horas”, disse Godoy.

Nesse último levantamento, 47,5% das vítimas tinham entre 23 e 43 anos. A pesquisadora destacou ainda que em dois dos casos eram mulheres com mais de 80 anos.

Em quatro dos casos, a vítima estava grávida, mas um total de 41 crianças ficaram órfãs, observa o monitoramento.

Em relação à idade dos agressores, o relato indica que 31,2% eram jovens entre 19 e 22 anos. “Esse declínio na idade é impressionante. A violência tem ocorrido com mais frequência por homens mais jovens”, destacou Godoy.

Em 31,3% dos casos, o agressor e a vítima tinham algum tipo de convivência, enquanto em 21,4% havia algum tipo de vínculo familiar.

A pesquisadora destacou ainda que as perspectivas para as mulheres venezuelanas em 2021 "são bastante preocupantes" e "desoladoras". “Vemos um estado perdido. É quase inexistente, em termos de uma verdadeira política de controle”, indicou Godoy.

Ela lembrou que recentemente o Ministério Público explicou que neste ano foram abertos 185 processos por feminicídio e no total 167 pessoas foram privadas de liberdade por esse crime e 26 condenações foram obtidas.

Godoy apelou à sociedade civil para que mantenha pressões para que o Estado aprofunde a situação e para que as políticas necessárias sejam ditadas com rigor.

“Não basta que haja crime, se a lei e o fosso entre a aplicação desta lei exemplar for muito grande no que diz respeito à eficácia dos processos que se abrem”, afirmou.

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