Militar português em luta contra Estado Islâmico e governo da Síria

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28 de fevereiro de 2015

Mário Nunes, um jovem português de 21 anos e natural de Portalegre, abandonou a Força Aérea de Portugal e foi à Síria combater o Estado Islâmico e o Governo sírio de Bashar al-Assad. A revelação foi feita pelo próprio jovem através em rede social, em um sítio de relacionamentos Facebook, no dia 10 deste mês, ilustrada com fotos em que aparecem homens com a bandeira do YPG (Unidades de Proteção Popular). A revelação de que um jovem de Portugal está na Síria provocou muita repercussão no país no final de fevereiro.

Pelas inserções fotográficas e de texto na sua página de Facebook, o militar partiu para o Curdistão e já ingressou no YPG, uma organização armada que luta contra o Governo sírio, do presidente Bashar al-Assad, e contra o Estado Islâmico. Em 2014, Mário esteve na Turquia e no Iraque e num dos braços trouxe uma tatuagem em árabe onde se lia "morte aos americanos". Questionado por colegas militares, disse estar contra o Islamismo e que fez a tatuagem "para despistar".

Segundo o Jornal de Notícias, o caso está a ser tratado pelo general José Pinheiro, chefe do Estado-Maior da Força Aérea, e aos militares o militar da Messe Base Aérea 11 (BA 11), com sede em Beja, já foi pedida a "máxima discrição" nos comentários sobre o assunto. Segundo o jornal, ele deveria ter-se apresentado ao serviço no sábado, dia 14, depois de um período de férias, mas tal não aconteceu.

Questionada por email pelo jornal sobre o desaparecimento do soldado, a Força Aérea, através do seu porta-voz, coronel Rui Roque, confirmou que o militar estava em "situação ilegítima de ausência desde 14 de fevereiro", acrescentando que foi "instaurado" um processo no sentido de "apurar" as circunstâncias da ocorrência. Acrescentou que, passados 10 dias, cabe "proceder à notificação das autoridades competentes" no caso a Polícia Judiciária Militar, dado que passava a ser considerado desertor.

Aos colegas da tropa, Mário Nunes disse que ia de férias para a Alemanha, enquanto à avó materna afirmou ir para Sagres, onde estava a mãe, mas nunca mais ninguém, militares, família e amigos, lhe soube do rasto. Todos os contactos feitos para o telemóvel, a fim de o tentar localizar, foram infrutíferos. Só dois dias depois e após acederem à página do militar perceberam que este tinha deixado a FAP e ingressado no YPG.

No dia 10 de fevereiro, Mário partilhou que deixara a Força Aérea e que ingressara como soldado do YPG, inserindo algumas fotografias de homens armados empunhando a bandeira amarela da organização. Na página surgem comentário de estupefação por parte de colegas e uma mensagem assinada por um amigo, Kader Kadandir, que se diz "orgulhoso" pela atitude do português. No dia 11 de fevereiro, Mário coloca uma mensagem onde diz: "Juntem-se na luta contra o Estado Islâmico".

Família

Em Portalegre, Mário Nunes é descrito como um jovem "desequilibrado", proveniente de uma família considerada desestruturada devido as circunstâncias da separação dos pais há alguns anos. A mãe vive em Sagres, é doente e está desempregada, vivendo com a avó e o pai, da GNR. O militar tem ainda uma irmã que estuda na Universidade de San Pablo, em Madrid, Espanha.

Em Sagres, o JN falou com uma pessoa próxima da família, que, sob anonimato, disse que a mãe de Mário sofre de "graves problemas de saúde", tendo a avó deixado de trabalhar num restaurante local, onde era ajudante de cozinha, para ajudar a filha. "O Mário há muito que não aparece por estas bandas" contou.

Através de um colega da GNR, o JN apurou que o pai de Mário o tem tentado contactar, mas este não atende o telemóvel. A mãe de Mário, via telefone, ligou a chorar para a BA 11, para saber do paradeiro do filho.

Fontes

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