Mianmar: dois meses após passagem do ciclone Mocha, milhares de pessoas seguem desabrigadas

Fonte: Wikinotícias

6 de agosto de 2023

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Mocha ao tocar terra

Mais de dois meses depois do ciclone Mocha tocar terra na costa oeste de Mianmar em 14 de maio com ventos de cerca de 190 km/h e rajadas de 210, milhares de pessoas seguem desabrigadas. Segundo a ACNUR, se estima que o número de desabrigados em Rakhine, o estado mais atingido, tenha subido de 390.000 pessoas para 657.000 depois da passagem do fenômeno.

"Dois meses depois de atingir o oeste de Mianmar e o sul de Bangladesh, cenas de devastação ainda podem ser vistas ao longo das estradas que partem de Sittwe, a capital do estado. Edifícios com paredes desmoronadas, telhados faltando e janelas quebradas, intercalados com postes elétricos caídos e outras infraestruturas danificadas, pontilham a paisagem", explica a ACNUR, adicionando que a situação dos desabrigados piora devido a muitos deles serem deslocados internos. "O estado de Rakhine é o lar de mais de 228.000 deslocados internos forçados a deixar suas casas por episódios de violência e conflito intercomunitário, incluindo 157.000 ruaingas étnicos que vivem em campos superlotados desde 2012".

As chuvas das monções também provocam "dilúvios quase diários", piorando a situação dos desabrigados, muitos dos quais vivem no que sobrou do resto de suas construções. “Meu telhado vaza sempre que chove. Se vier outra tempestade, meu abrigo pode desabar", disse uma mulher chamada diz Ma Soe Yai.

Perseguição aos ruaingas

Os ruaingas sofrem uma intensa discriminação e perseguição em Mianmar e outros países da região e o governo birmanês não os reconhece como cidadãos, considerando-os apátridas. Com isso, eles não têm acesso a direitos fundamentais e muitos vivem em extrema pobreza devido a restrições à sua liberdade de movimento que limitam sua capacidade de ganhar uma renda e acessar serviços básicos, como educação e saúde.  

Milhares de ruaingas vivem em Rakhine, na fronteira com Bangladesh, para onde se deslocaram conforme a perseguição em Mianmar se intensificava a partir de 2012.

Logo após o ciclone, voluntários que trabalhavam na região alegaram que as restrições burocráticas e políticas impostas pelos governantes militares de Mianmar estavam atraplahando os esforços para ajudar vítimas do desastre natural em Rakhine e "um mês após o ciclone Mocha atingir a área costeira de Mianmar em 14 de maio, as autoridades de fato suspenderam o acesso humanitário em Rakhine, interrompendo a distribuição de ajuda vital para as comunidades afetadas", reporta o Relief da ONU.

Referências

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Fontes