Mensalão pode ser maior ainda, diz relator da CPI

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20 de dezembro de 2005

Brasil

Segundo o relator-adjunto da CPI dos Correios Eduardo Paes (PSDB-RJ) há indícios de que o esquema de corrupção envolvendo os poderes legislativo, executivo e o Partido dos Trabalhadores -o chamado mensalão- é muito maior do que já foi apurado até agora. Paes disse que isto ficará evidente no relatório desta quarta-feira, a ser apresentado pelo relator da CPI deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR).

Paes disse que o mensalão consistiu numa série de pagamentos feitos aos "amigos do governo", com uma certa regularidade, em datas próximas a votações importantes no Congresso Nacional. "Parte dos pagamentos era feita no varejo, parte no atacado. Era uma espécie de caixa disponível para eventuais necessidades", disse ele.

O relator-adjunto adiantou que o novo relatório trará novas informações sobre o Banco do Brasil e a Visanet, além de falar sobre as origens, intermediação e destino do dinheiro, de uma forma mais organizada. Osmar Serraglio disse não haverá grandes novidades e que que pretende apontas as condutas das pessoas investigadas pela CPI, incluindo ministros de estado e presidentes de empresas estatais.

Está marcado para esta quarta-feira os depoimentos de Giovanni Cérvolo, da agência FCB, e de Reginaldo Reges Menezes Fernandes, funcionário da Skymaster. As duas empresas são suspeitas de envolvimento no escândalo dos Correios. Segundo a CPI, Menezes Fernandes teria supostamente participado do envio para o exterior de recursos obtidos com o superfaturamento dos contratos entre a Skymaster e os Correios.

A continuação dos depoimentos de Iohannis Amerssonis, sócio da Brazilian Airlines Transportes Aéreos (Beta), que prestou serviços aos Correios, e de Ricardo Ramos Quirino, sócio da agência Grotera, que atuou junto ao Banco do Brasil, previstos para esta terça-feira foram adiados.

Os parlamentares discutem a possibilidade de criar leis contra a corrupção. "Roubar o Estado, agora, vai ficar mais difícil, pois vamos apresentar propostas para reformular a estrutura dos órgãos reguladores do sistema financeiro. O Brasil vai se igualar a outros países, que enfrentam, isolam e superam a corrupção", disse o deputado Onyx Lorenzoni (PFL-BA), membro da CPI dos Correios.

O presidente da CPI dos Correios senador Delcídio Amaral (PT-MS) disse que está em discussão a possibilidade da criação de um projeto de lei para ajudar na fiscalização do sistema financeiro e diminuição da possibilidade de lavagem de dinheiro.

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