MST organiza Feira Estadual da Reforma Agrária no centro do Rio

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8 de dezembro de 2014

Brasil

O Largo da Carioca, região central do Rio, sediará até quarta-feira (10) a 6ª Edição da Feira Estadual da Reforma Agrária Cícero Guedes, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Segundo a dirigente nacional do MST no Rio de Janeiro, Elisângela Carvalho, o evento tem sido um instrumento político muito importante, para discutir a reforma agrária com a sociedade. “O Rio de Janeiro é visto como um estado que não tem agricultura, e isso não é verdade. Nós trouxemos a produção dos 17 assentamentos, das regiões norte, sul e da Baixada Fluminense”, disse Elisângela.

Em todo o Brasil, há aproximadamente 96 pequenas e médias agroindústrias em assentamentos do MST processando frutas e hortaliças, leite e derivados, grãos e doces, entre outros produtos, que podem ser encontrados na feira. De acordo com o movimento, há 400 associações agrícolas, 71 cooperativas de produção agropecuária, cinco cooperativas de trabalho e outras, constituídas nos assentamentos.

Segundo Elisângela, os trabalhadores rurais reivindicam melhores condições. “Os assentamentos têm uma infraestrutura muito precária. Para permanecer no campo, o agricultor tem que ser muito resistente. Hoje, o agronegócio está expulsando os camponeses da terra e, por isso, muitos não conseguem produzir alimentos saudáveis e com diversidade para garantir a soberania alimentar, que é um dos nossos objetivos. As multinacionais usam a monocultura, principalmente com sementes modificadas e transgênicas, e tentam provar que é mais rentável apoiar o agronegócio do que o agricultor no campo, visando a agricultura para a exportação”, afirmou.

Outra questão discutida no evento é o uso de defensivos agrícolas. No último dia 3, o Brasil se mobilizou no Dia Internacional da Luta Contra os Agrotóxicos, lembrando que cada brasileiro consume em média 5,2 litros de veneno agrícola por ano.

O coordenador da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos, Alan Tygel, destacou que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxico do mundo. “O MST, dentro do projeto de reforma agrária popular, tem como um dos objetivos, a produção de alimentos sem defensivos, agroecológicos. A feira e outras iniciativas como esta mostram as possibilidades desse tipo de produção, que pode e deve alimentar a população brasileira”, afirmou.

A maior dificuldade dos assentados é a comercialização dos alimentos produzidos. A saída foi a criação, em 2005, da primeira Feira Estadual, na cidade de Campos dos Goytacazes, norte fluminense. “Atualmente temos dez empresas no Brasil que controlam toda a produção e comércio de grãos", informou o agricultor Hermes Oliveira.

"A produção de alimentos é controlada pela agricultura familiar, o que foi provado pelo último senso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [IBGE]. Não controlamos o mercado. Vendemos nosso produto para um atravessador, por um preço infinitamente baixo. Se conseguíssemos escoar nossas produções no valor que vendemos na feira, resolveríamos metade dos nossos problemas”, concluiu.

Fontes[editar]

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