Lula pede a Bento XVI que dê "conselhozinho" para resolver a crise

Origem: Wikinotícias, a fonte de notícias livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

Agência Brasil

13 de novembro de 2008

Email Facebook Twitter WhatsApp Telegram

No encontro que teve hoje (13) com o papa Bento XVI, no Vaticano, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva pediu que o pontífice incluísse a questão da crise financeiro mundial em seus pronunciamentos.

“Eu pedi ao papa que nos seus pronunciamentos ele fale da crise econômica, pois se todo o domingo o papa der um 'conselhozinho' quem sabe a gente encontra mais facilidade para resolver o problema", disse o presidente.

Falamos da crise econômica. Eu contei para ele que eu vou para os Estados Unidos discutir a crise econômica. Eu disse a ele que em todas essas crises o que me preocupa é que o empresário pode perder um pouco, mas vai continuar sendo empresário, vai continuar rico, ou seja, os setores mais avançados da sociedade que ganham mais vão perder um pouco, mas continuarão comendo e bebendo, jantando e almoçando. A minha preocupação é sempre com os mais pobres. A minha preocupação é que a crise não resulte no empobrecimento daqueles que já são pobres. Sobretudo olhando para os países de menores economias, olhando para os países africanos


De acordo com Lula, o papa disse que também considera a crise grave.

O encontro reservado de Lula com o Bento XVI durou 24 minutos e ocorreu na biblioteca, em uma sala utilizada normalmente para receber chefes de Estado.

O presidente disse ter ficado surpreso com o nível de informações que o papa demonstrou ter do Brasil. “Eu fui surpreendido, porque ele está muito bem informado sobre o Brasil. Ela sabia do programa Luz para Todos, ele sabia das políticas do Brasil com a África e sobre o Bolsa Família. Obviamente que o Brasil sempre trabalhou e sempre trabalhará para que a gente tenha uma boa relação com todos os papas e com o Estado do Vaticano, até porque, a relação da Igreja com o Brasil é indissociável”, disse o presidente.

Após o encontro reservado com Lula, o papa cumprimentou a primeira-dama, Marisa Letícia, e os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Nelson Jobim (Defesa) e Celso Amorim (Relações Exteriores). Em seguida, representantes do governo brasileiro e do Vaticano assinaram acordo que ratifica normas já previstas na legislação brasileira da atuação de religiosos no país.

Os dois chefes de Estado também trocaram presentes. Lula deu ao papa uma escultura de barro do artesanato pernambucano. A escultura representa uma família de retirantes nordestinos. O papa deu a Lula uma caneta e também presenteou as mulheres com um terço e os homens com um medalha do pontifício.

Lula disse ter achado o papa um homem afável. “O para é uma figura surpreendente, porque a imagem que ele passava na televisão, antes de ir ao Brasil, era uma imagem de um homem sisudo, de poucos amigos. Quando ele chegou ao Brasil, era um homem afável, acho que ele conquistou o Brasil e o Brasil o conquistou”, disse o presidente.

Logo depois do encontro com o papa, Lula se reuniu com o cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano.

Essa é a segunda vez que Lula se encontra com Bento XVI. Em maio do ano passado, em São Paulo, os dois conversaram. Na ocasião, Bento XVI participou da 5ª Conferência Episcopal da América Latina e Caribe, realizada em Aparecida.

Fontes