Lula pede "serenidade e muita conversa" para preservar paz na América do Sul

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Agência Brasil

10 de agosto de 2009

Quito, Equador


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu hoje (10) “serenidade e muita conversa” para preservar a paz e fortalecer a integração entre os países sul-americanos. Lula fez a declaração logo depois da posse dos novos dirigentes da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), na sequência de um discurso inflamado do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que quebrou o protocolo da cerimônia.

Os chefes de governo presentes já haviam assinado a declaração final do encontro quando Chávez pediu a palavra e defendeu uma proposta apresentada pela Bolívia, de um posicionamento mais firme da Unasul, rechaçando a instalação de sete bases norte-americanas em território colombiano.

No documento final da cúpula, não há qualquer menção a essas bases militares.

Chávez chegou a levantar a possibilidade de retaliação militar contra a Colômbia, caso seu país sofra alguma agressão depois da instalação das bases. Ele disse que era seu dever alertar para a possibilidade de confrontos mais sérios e que percebia que “ventos de guerra sopram sobre a região.”

Os presidentes do Paraguai, Fernando Lugo, da Bolívia, Evo Morales, do Chile, Michelle Bachelet, e do Equador, Rafael Correa, também se pronunciaram sobre o clima tenso que hoje envolve o continente.

O presidente Lula, que só chegou a Quito na madrugada de hoje, decidiu antecipar a volta ao Brasil e nem chegou a participar da posse de Rafael Correa na presidência da Unasul.

Em entrevista concedida na Base Aérea da capital equatoriana, pouco antes de embarcar de volta ao Brasil, Lula manteve o tom conciliatório e fez uma proposta: que a Unasul convoque o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para uma reunião. “Seria a oportunidade para ouvirmos do próprio presidente Obama o que ele pensa de uma política para os países do continente sul-americano”, afirmou.

A questão das bases norte-americanas deverá ser o assunto principal numa reunião extraordinárias dos ministros das Relações Exteriores e da Defesa dos 12 países membros da Unasul no próximo dia 24, em Bariloche, na Argentina. O presidente brasileiro disse esperar que a Colômbia envie seus representantes a Bariloche.

Barack Obama

Durante a reunião da Unasul, o presidente Lula sugeriu aos integrantes do bloco que a Unasul convide o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para uma "discussão profunda" sobre a relação entre os Estados Unidos e a América do Sul.

“Talvez fosse o caso de pensarmos em convocar o Obama para discutir a relação dos Estados Unidos e a América do Sul, porque a informação que temos é que ainda existem embaixadores que se metem em eleições de outros países. Essa Quarta Frota me preocupa profundamente por causa do pré-sal e deveríamos discutir esse inconformismo nosso diretamente com o governo americano”, disse Lula ao discursar na abertura da reunião da Unasul.

Lula sugeriu que após a reunião entre chanceleres e ministros da Defesa na Unasul, marcada para o dia 24 de agosto, seja realizada uma reunião entre os presidentes dos países que integram o bloco e, só então, feito o convite a Barack Obama.

No discurso, o presidente Lula falou sobre a necessidade de que os integrantes da Unasul se entendam. “Me incomoda esse clima de inquietação no nosso continente e penso que vai ser sofrido, as pessoas vão ter que aprender a ouvir duras verdades, mas vamos ter que nos colocar de acordo sobre o futuro da Unasul.”

Segundo ele, se não for estabelecido um clima amistoso entre os países, a Unasul se tornará uma instituição “de amigos, cercada de inimigos”. “Se não houver essa coisa amistosa entre nós, de confiança entre nós e mais sinceridade, em vez de estarmos criando uma instituição de integração, estaremos criando um clube de amigos cercado de inimigos por todas as partes, isso não funciona.”

A reunião ocorreu sem a presença do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, por conta de recentes desentendimentos com governantes da América do Sul envolvendo um acordo para a instalação de bases militares americanas no país.

Retorno do Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva antecipou seu retorno de Quito ao Brasil devido ao estado de saúde do vice-presidente, José Alencar. Lula contou que havia conversado ontem (9), às 21h, com Alencar e o vice -presidente estava bem, com planos de voltar para Brasília.

Mas, hoje (10), ao acordar, Lula soube que Alencar havia sido internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, na noite de ontem por ter urinado sangue.

“Fiquei preocupado, comuniquei ao presidente Rafael Correa [do Equador] que não ia ficar para a posse”, disse Lula a jornalistas, antes de embarcar para o Brasil. Lula estava em Quito para participar da Cúpula de Chefes de Estado da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e da posse de Correa.

De acordo com a assessoria de Alencar, ele permaneceu no hospital das 23h de ontem às 10h de hoje. O vice-presidente está bem, despachando em São Paulo e deve retornar ao hospital para novos exames na quinta-feira. Segundo a assessoria de imprensa do Sírio-Libanês, no entanto, Alencar deu entrada no hospital hoje cedo.

Alencar luta contra um câncer há 12 anos e já foi submetido a 15 cirurgias. Só em julho, foram duas intervenções: a primeira, no dia 9, para retirada de tumores para desobstruir o intestino. A segunda, no dia 24, para realização de uma colostomia, procedimento cirúrgico no qual é feita uma abertura no abdômen para drenagem das fezes.

Fontes


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