Livro fala que KGB pagava mensalidades a políticos de outros países e causa polêmica

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28 de setembro de 2005

Segunda-feira passada (19) foi publicado o livro: “The Mitrokhin Archive, Volume II: the KGB and the World”, de Christopher Andrew e Vasili Mitrokhin, editora Penguin. O livro, escrito com a ajuda do ex-funcionário da KGB Vasili Mitrokhin, traz revelações polêmicas sobre a atuação da agência de inteligência soviética em países em desenvolvimento, durante os anos 60-70, com pagamento de mensalidades a políticos locais. Entre os países citados estão: Índia, Chile, Cuba, Nicarágua e Costa Rica.

O livro diz que após a eleição do Presidente do Chile, Salvador Allende, em 1970, a União Soviética mantinha contactos regulares com o Presidente chileno através do agente da KGB Svyatoslav Kuznetsov.

Segundo o livro, em outubro de 1971, Allende recebeu 30 mil dólares com o objetivo de "solidificar as relações de confiança". De acordo com o livro, os documentos da KGB registram pagamentos, efectuados e propostos, num total de 420 mil dólares para Allende, antes e depois de sua eleição em 1970. O livro também diz que Allende foi presenteado com duas obras de arte para sua coleção particular.

O livro diz que José Figueres Ferrer, da Costa Rica, recebeu 300 mil dólares da KGB para sua campanha presidencial em 1970 e 10 mil dólares depois; e que Carlos Fonseca, fundador da Frente de Libertação Nacional Sandinista da Nicarágua era um agente de alta confiança da KGB cujo codenome era Gidrolog. Segundo o livro, o Presidente de Cuba, Fidel Castro, pediu à União Soviética para reinstalar seus mísseis nucleares na ilha, em 1984.

O livro conta que políticos da Índia receberam milhões de dólares e que agentes infiltrados influenciaram o governo de Indira Gandhi a fim de que ele declarasse um estado de emergência em 1975. Num dos trechos do livro está escrito que o oficial da KGB General Oleg Kalugin disse que "parecia que todo o país estava à venda". O livro informa que segundo os documentos da KGB, cerca de 3789 artigos foram plantados em jornais indianos nessa época.

As declarações do livro “The Mitrokhin Archive” causaram uma reação de repúdio entre políticos indianos. A secretária-geral do partido do Congresso Ambika Soni disse à BBC que o autor do livro não tem nenhuma evidência para aquilo que ele fala. Ela disse que o livro não conhece nada sobre a Índia.

O autor, Christopher Andrew, é Professor de História Moderna e Contemporânia da Faculdade de História da Universidade de Cambridge. Seus últimos livros trazem estudos sobre a atuação e abuso de agências de inteligência na história moderna. Andrew é apresentador regular de programas na Rádio BBC e de documentários na televisão. Faz parte do Grupo de Estudos da Inteligência Britânica, é co-editor da Intelligence and National Security (Segurança Nacional e Inteligência) e ex-professor visitante das universidades de Toronto, Harvard e Nacional Australiana. [1]

Vasili Mitrokhin, que morreu em 2004 aos 82 anos, era major e arquivista sênior dos arquivos da KGB, para a qual trabalhou durante cerca de 10 anos. Em 1992, abandonou a União Soviética e procurou asilo no Reino Unido.


Páginas externas

Trechos do livro

Referências

Christopher Andrew, Vasili Mitrokhin The Mitrokhin Archive, Volume II: the KGB and the World Penguin 2005 ISBN 0713993596 [2]

Fontes