José Sócrates é eleito secretário-geral do PS

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José Sócrates em 2006.
Bandeira de Portugal.
Localização de Portugal na União Europeia.

15 de fevereiro de 2009

Portugal

Eleições directas realizadas pelo Partido Socialista (PS) entre sexta-feira (13) e sábado (14), deu vitória na madrugada de hoje, ao candidato único pelo secretário-geral do PS, José Sócrates, com os votos de 25.393 militantes, 96,4 por cento do total de 26.331 votantes, quando estavam apurados os votos de 711 das 718 secções. É a terceira vez que ele é reeleito.

O PS tem um universo total de 90.000 militantes, mas destes apenas cerca de 29.000 podiam votar por terem as quotas em dia. Quatro três mil decidiram não exercer o direito de voto, entre os quais Manuel Alegre e João Cravinho.

Sócrates conquistou o voto de 25.393 militantes socialistas, num escrutínio que teve 736 votos brancos e 202 nulos. Os resultados correspondem ao apuramento de 711 das 718 secções de voto. Faltam apurar as secções de França, Canadá, Suíça, Alemanha e Brasil, países onde concentram os portugueses e descendentes.

A sua moção elegeu 1.700 dos 1.730 delegados ao Congresso do PS, que está marcado para 27 e 28 de fevereiro e 1 de março, em Espinho. Dos cerca de 73 mil militantes do PS, apenas podem votar nas eleições directas aqueles que tiverem as quotas pagas, podendo fazê-lo no próprio dia da votação, e a participação eleitoral foi de aproximadamente 36 por cento.

Críticos

Vários críticos internos admitem que não foram votar nas directas por não haver uma alternativa a José Sócrates. E atribuem os 25 mil votos conquistados pelo líder do PS à necessidade de se cerrar fileiras em véspera de eleições.

É o caso de críticos como Ana Benavente, Henrique Neto, Manuel Alegre ou Medeiros Ferreira, que se queixam de falta de alternativas ao secretário-geral.

Há muita gente que não foi votar e que está descontente com a liderança", garante o histórico socialista Henrique Neto, que também sentiu que "não adiantava" ir votar em branco. Tal como Ana Benavente. "Não votei. Não votaria em José Sócrates e não havia alternativa", revela, frontalmente.

Acusando o PS de conduzir o País com políticas de Centro-Direita, a ex-governante avisa: "Quando José Sócrates deixar a liderança, vai deixar o PS muito mau, porque perdeu a sua matiz de governo socialista. Vai deixar o PS completamente vazio". Por isso, afirma que preferia que as directas tivessem tido uma alternativa ao secretário-geral. "Não necessariamente Manuel Alegre. Um candidato com um verdadeiro programa socialista", aponta.

Alegre, que também não foi votar, era a alternativa que Henrique Neto queria. "Devia-se ter assumido como alternativa. Isso faria com que as pessoas que não concordam com a liderança fizessem ouvir a sua voz e também dava maior legitimidade e coerência ao seu discurso", argumenta.

"Não fui votar porque achei que não era necessário", revela também Medeiros Ferreira, embora admita que este não era o momento para surgirem alternativas. "Estamos num ciclo eleitoral em que não compete ao PS criar dificuldades a si próprio", justifica. Daí que acredite que os 25 mil votos conquistados por José Sócrates se relacionem com a necessidade do partido se apresentar "forte para os actos eleitorais".

João Soares, por seu lado, crê que o PS "está a viver uma situação de normalidade". "O secretário-geral ganhou com toda a clareza mais um mandato", afirma.

Coletiva

José Sócrates, já reeleito, em coletiva de imprensa, agradeceu hoje aos militantes socialistas a "prova de confiança" que lhe deram e disse sentir uma "renovada responsabilidade" perante os portugueses. "Os militantes do PS elegeram-me para um novo mandato como secretário-geral. É uma prova de confiança que desejo agradecer", disse José Sócrates, no início de uma declaração de sete minutos que fez na sede nacional do PS, em Lisboa, sem direito a perguntas.

"Sinto-o como uma honra, sinto-o como uma demonstração e confiança dos meus camaradas, a que procurarei corresponder com a melhor das minhas forças", reforçou, depois. "Sinto-o sobretudo como uma renovada responsabilidade perante os meus concidadãos", acrescentou o primeiro-ministro.

José Sócrates considerou que "o PS é hoje um partido unido, um partido forte e um partido aberto à sociedade" e que se afirmou "como um partido portador das ideias e propostas de acção, iniciativa, reforma e progresso de que o país precisa".

"Mais uma vez provámos que somos nós quem lança as ideias políticas que motivam e mobilizam os nossos concidadãos", prosseguiu, defendendo que "é tempo de estabilidade", de "prosseguir com as reformas modernizadoras" e "não é tempo de aventuras, demagogias ou populismo".

"Os portugueses não confiam em quem apenas protesta contra a crise. Os portugueses querem que o país saia da crise. Para isso é preciso visão e prioridades claras", disse.

Como medidas com as quais se compromete, destacou "os doze anos de educação para todos", "a extensão da rede social de apoio às famílias e das redes de cuidados de saúde", "uma regulação pública para os mercados mais transparente e mais eficaz" e "uma reforma fiscal capaz de redistribuir melhor o rendimento a favor das classes médias".

"Em tempos como estes, a responsabilidade mede-se pela capacidade de agir, de recusar aventuras e de ser rigoroso e determinado. Eis o meu compromisso: iniciativa, determinação, responsabilidade", concluiu.

Fontes