Isabel dos Santos não avança com queixa-crime contra presidente da Sonangol

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Agência VOA

Empresária afirma que quer alimentar a controvérsia e que as acusações foram deliberadamente mal intencionadas

4 de outubro de 2018

A empresária angolana e antiga presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Isabel dos Santos, decidiu não avançar com a queixa-crime apresentada contra o actual homem-forte da petrolífera estatal, Carlos Saturnino.

“No actual contexto de febre político-mediática, decidi não alimentar mais a controvérsia, especialmente porque, depois de todas as minhas detalhadas explicações, tornou-se bastante claro e evidente para a opinião pública que as acções levadas a cabo por Carlos Saturnino foram deliberadamente mal intencionadas e cujas alegações são infundadas”, afirma Santos numa nota enviada à VOA nesta quinta-feira, 4.

A empresária reitera que a “decisão de não prosseguir com a queixa-crime do processo por difamação, tem por base o facto da opinião pública estar suficientemente esclarecida quanto à verdade e de estarem restabelecidos os factos”.

Para suportar a sua posição, a filha do antigo Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, assinala as entrevistas por ela concedidas e os comentários públicos que, segundo ela, foram bastante esclarecedores, no sentido de informar a opinião pública sobre a falsidade das acusações proferidas por Carlos Saturnino”.

Acusações

Isabel dos Santos em Dezembro de 2017.

A 28 de Fevereiro, o novo presidente do Conselho de Administração, Carlos Saturnino, nomeado pelo Presidente João Lourenço depois do afastamento de Isabel dos Santos da Sonangol, denunciou, em conferência de imprensa, a saída de montantes avultados para um banco no Dubai depois da exoneração do anterior CA dirigido por Santos.

“Embora tenha sido exonerado no dia 15, o administrador que velava pelas Finanças ordenou no dia 16 uma transferência de 36 milhões de dólares a partir do banco BIC para Matter Business Solutions DMCC, com sede no Dubai, e esta não foi a única transferência, no dia 17 pagaram-se também quatro facturas”, denunciou o PCA.

Carlos Saturnino revelou também pagamentos de salários chorudos na gestão de Isabel dos Santos.

Em Março, a Procuradoria-Geral da República anunciou ter aberto um inquérito para investigar as denúncias de Saturnino.

Isabel dos Santos reage

No dia 4 de Março, a empresária Isabel dos Santos divulgou um comunicado em que considera falsa a afirmação da actual direcção da Sonangol e nega a existência de instrução de pagamentos no dia 17 de Novembro, após à tomada de posse da nova direcção.

Em entrevista ao jornal Notícias, de Portugal, Isabel dos Santos anunciou que ia processar Carlos Saturnino.

Agora, Santos, que decide não avançar com o processo, reitera que as acusações do PCA da Sonangol “não passaram de alegações sem qualquer evidencia factual, nem fundamentos, motivados apenas por uma vingança pessoal” e conclui que “os factos e as verdades sobre o meu exercício enquanto Presidente do Conselho de Administração da Sonangol foram por mim amplamente comunicados e provados”.

Fontes

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