Irão reinicia programa nuclear

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Localização do Irão.

11 de janeiro de 2006

O Irão reiniciou seu programa de pesquisas nucleares nesta terça-feira (10), segundo anunciou a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA). Segundo a agência: "as pesquisas incluem enriquecimento de urânio em pequena escala, que pode ser usado tanto em plantas de produção energia, quanto em armas".

Mohammad Saeedi, da Organização de Energia Atômica do Irão, disse que há diferença entre a pesquisa e a produção de combustível nuclear e que a a produção de combustível atômico continua suspensa.

Os Estados Unidos da América disseram que qualquer enriquecimento de urânio serve para aumentar as tensões na região. Um porta-voz da Casa Branca afirmou também que o Irão se arrisca a uma decisão do Conselho de Segurança das Nações Unidas, organismo que pode impor sanções se o Irão continuar com sua atual agenda nuclear.

Por sua vez, o ministro britânico de Assuntos Exteriores Jack Straw disse que o a crise com o Irão deve ser resolvida por vias diplomáticas e que a ação militar não está em seus planos.

Mohamed ElBaradei, diretor da AIEA, disse aos 35 países que fazem parte da organização que o Irão tinha a intenção de realizar enriquecimento limitado de urânio nas instalações em Natanz, onde rompeu os selos da ONU na frente de inspetores da AIEA.

"O Irão planeja instalar uma pequena cascata ultracentrífuga de gás em sua planta piloto de enriquecimento de combustível em Natanz", disse um diplomata ocidental enquanto lia o relatório de ElBaradei.

Os diplomatas europeus tinham dito que convocariam uma reunião de emergência da AIEA para estudar se pediriam às Nações Unidas maiores ações ou sanções. Os EUA disseram que agora isto parece inevitável.

Teheran nega querer usar a tecnologia nuclear para outros fins além dos programas civis de energia com objetivo de atender a crescente demanda de eletricidade do país.

As potências ocidentais parecem ignorar as afirmações iranianas e dizem que o país deve abster-se de qualquer atividade que possa ser usada no desenvolvimento de armas atômicas. A União Europea disse que a mais recente ação iraniana "faz com que se perca a confiança internacional na natureza pacífica de seu programa nuclear".

Em Berlim, o ministro de Relações Exteriores alemão Frank-Walter Steinmeier advertiu que o Irão cruzou o limite ao remover os selos de suas plantas nucleares. O alto funcionário público disse que esperava que os iranianos tivessem consciência de que poderiam enfrentar conseqüências do resultado de sua ação e acrescentou que espera que Teerão volte a trilhar o caminho da razão.

A China também pediu ao Irão para que prossiga o diálogo com Reino Unido, França e Alemanha. O porta-voz do ministro de Relações Exteriores chinês Kong Quan declarou que "todas as partes devem mostrar moderação e fazer esforços para construir a confiança mútua".

A agência iraniana de notícias Khabar informou que o parlamento desse país apoiou a decisão do Presidente Mahmoud Ahmadinejad de reiniciar as pesquisas nucleares, qualificando-as de fonte de orgulho nacional.

Fontes