Iberia e AirFrance cancelam voos para Caracas

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Agência Brasil

30 de julho de 2017

Empresas aéreas estão cancelando voos para Caracas, na Venezuela, por razões de segurança. A companhia aérea espanhola Iberia cancelou dois voo entre Madri e Caracas neste domingo (30) devido à "delicada situação" na Venezuela, que geram "dificuldades operacionais e de segurança." As informações são da Agência EFE.

Em comunicado, a direção da Iberia informou que decidiu cancelar os voos programados nos dois sentidos neste domingo, quando ocorrerá as eleições para a Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela.

A Iberia explicou aos clientes prejudicados pelo cancelamento que oferecerá a melhor alternativa de viagem em novas datas, a possibilidade de reembolso da passagem ou a recolocação em outras companhias aéreas.

A Air France também suspendeu os voos entre Paris e Caracas de domingo até a próxima terça-feira.

"Perante a situação atual na capital venezuelana, somos obrigados a suspender os nossos voos de Paris a Caracas do domingo, 30 de julho, à terça-feira, 1º de agosto", informou a companhia aérea francesa em comunicado.

A empresa dá aos clientes a opção de voltar a reservar sem custos um voo posterior ou cancelar a viagem, e concederá ao passageiro um vale não reembolsável válido por um ano.

Esta decisão ocorre um dia após o governo dos Estados Unidos ter ordenado aos familiares dos funcionários da embaixada americana em Caracas que abandonem a Venezuela, o que aconteceu hoje, por causa dos crimes "violentos" e da falta "generalizada de alimentos e medicamentos".

Em resposta, o chanceler da Venezuela, Samuel Moncada, acusou os EUA de criarem deliberadamente um alarme no país com a intenção de semear o caos.

"Se eles evacuam os funcionários, é o ato de um país que está a ponto de cair no abismo. E outras embaixadas copiam porque dizem que 'os americanos sabem que nós não sabemos', então as companhias aéreas começam a copiar", acrescentou o ministro venezuelano.

O governo da Venezuela convocou para este domingo a eleição dos delegados da Assembleia Nacional Constituinte, com a qual pretende modificar a Constituição. A oposição não participará da votação por considerar o processo "fraudulento".

Um jovem de 18 anos morreu nesta sexta-feira (28) após ser atingido por um tiro em uma manifestação na cidade de San Cristóbal, no Oeste da Venezuela, aumentando assim para 109 o número de mortes em quase quatro meses de protestos no país, informou a Promotoria.

"Gustavo Villamizar recebeu um tiro quando se encontrava em uma manifestação nas imediações do Liceu Alberto Adriani", informou na sua conta do Twitter a Promotoria Geral da Venezuela, ao anunciar uma investigação sobre o caso.

Várias pessoas morreram em todo o país em episódios violentos e confrontos entre manifestantes e forças de segurança nos últimos dias, especialmente durante a greve geral de 48 horas convocada pela oposição e vários setores sociais para exigir do Governo o cancelamento da eleição da Assembleia Constituinte.

Centenas de pessoas foram detidas durante esta nova ação de protesto, que consistiu no fechamento de empresas e foi acompanhada por uma greve de trabalhadores e o fechamento em massa de ruas com barricadas e outros objetos.

Agentes da Polícia e da Guarda Nacional (Polícia militarizada) tentaram dissolver em vários pontos do país com bombas de gás lacrimogêneo quem fechava as ruas, que em alguns casos responderam com pedras e outros objetos.

A Promotoria acusou os responsáveis das forças da ordem por supostas violações dos direitos humanos durante a contenção dos protestos e a procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, qualificou de "excessiva" a ação contra os manifestantes.

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Fontes

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