Human Rights Watch denuncia abusos dos EUA contra prisioneiros no Iraque

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25 de julho de 2006

Um relatório é publicado pela ONG Human Rights Watch sob o tratamento dado aos detentos no Iraque pelos soldados dos EUA. O relatório diz que a tortura e outros abusos contra detentos sob custódia dos Estados Unidos no Iraque continuam e são rotineiramente autorizados. O relatório inclui relatos detalhados de supostos abusos em centros de detenção espalhados pelo Iraque, mais as declarações de um interrogador do Exército lotado no Campo Nama, localizado nos arredores do Aeroporto Internacional de Bagdá.

O relatório de 55 páginas intitulado: "Sem sangue, sem crime: Relatos de abusos contra detentos no Iraque" alega que duras técnicas de interrogatório foram aprovadas por comandantes militares. Os relatório diz que soldados descrevem como os detentos eram costumeiramente submetidos a severas surras, eram colocados em posições dolorosas, submetidos à privação de sono, e expostos a calor e frio extremos. Segundo o documento, os relatos originaram-se de entrevistas pela Human Rights Watch, complementado por memorandos e declarações assinadas.

Marc Garlasco, analista de militar da Human Rights Watch, disse: “Até agora, um monte de alegações e evidências estiveram a se espalhar sobre a autorização e a cadeia de comando das técnicas abusivas”.

E acrescentou: "Pela primeira vez, forneceram-nos informações claras sob o alcance da autorização das técnicas abusivas, e ela aponta diretamente para oficiais na ativa e para o Pentágono.”

John Sifton, pesquisador da Human Rights Watch disse que "disseram aos soldados que as Convenções de Genebra não se aplicariam, e que os interrogadores podiam usar técnicas abusivas para fazer os detentos falar."

Departamento da Defesa nega qualquer aprovação do Pentágono para qualquer abuso

O Tenente-Coronel Mark Ballesteros, porta-voz do Pentágono disse que "a política do DoD [Departamento de Defesa] tem e sempre será o tratamento humano a detentos sob sua custódia.” Ele disse que há uma força-tarefa no Iraque que fiscaliza as ações nos detentos e que ela já fez uma dúzia de investigações sob a política de tratamento dada aos presos. Segundo o tentente-coronel, em nenhuma oportunidade foram encontradas evidências de que o Departamento de Defesa alguma vez encomendou ou perdou um abuso contra algum preso.

O relatório da Human Rights Watch recomenda criar uma comissão bipartite para investigar as denúncias de abuso contra presos no Iraque, além de fazer uma revisão no sistema de justiça militar, e nomear um promotor independente para investigar e punir os responsáveis.

Marc Garlasco disse: “na situação atual de ocupações de longo período no Iraque e no Afeganistão, com a rotatividade de tropas, não há nenhuma razão para que um promotor independente não cuide das denúncias de abuso.” E acrescentou: “faria uma diferença se os E-3 (soldados de primeira classe) no campo vissem alguns oficiais seniores ou chefes que autorizaram abusos sendo julgados por uma corte marcial em vez de serem promovidos.”

Fontes