Governo Federal reconhece situação de emergência no Mato Grosso do Sul

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15 de setembro de 2020


O Governo Federal reconheceu a situação de emergência no Mato Grosso do Sul por conta dos incêndios florestais. A decisão foi publicada, nesta segunda-feira (14), em edição extra, do Diário Oficial da União.

Com o reconhecimento, o governo estadual poderá ter acesso a recursos da União para ações de socorro, assistência, restabelecimento de serviços essenciais à população e recuperação de infraestruturas públicas danificadas.

“O estado apresentará planos de trabalho para locação de aeronaves, compra de insumos para o Corpo de Bombeiros, para os brigadistas, contratação de hospedagem, contratação de alimentação para os trabalhadores do fogo. Enfim, tudo aquilo que for possível, tudo aquilo que for necessário para vencermos esse desafio”, disse o secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, coronel Alexandre Lucas, que está na região desde o final de semana e já participou de reuniões com representantes de órgãos estaduais e federais que estão atuando no local.

“Estamos aqui no Mato Grosso do Sul para trazer os recursos e apoio técnico para a resposta aos incêndios florestais que tenham acometido o Pantanal”, explicou.

Forças Armadas

O Ministério da Defesa informou que as Forças Armadas atuam, desde o dia 25 de julho, no combate a incêndio no Pantanal no Mato Grosso do Sul e que, no dia 5 de agosto, as ações foram estendidas ao Pantanal mato-grossense. Ministério da Defesa atende à solicitação recebida pelos dois estados.

Participam da operação embarcações e helicópteros da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, além de Fuzileiros Navais com curso em incêndio florestal. Segundo o ministério, em mais de 40 dias de operação, estão sendo empregadas 14 aeronaves que contabilizam cerca de 335 horas de voo. Além disso, estão sendo utilizadas 40 viaturas e duas embarcações no transporte de brigadistas e no despejo de água para conter as chamas.

Além das Forças Armadas, participam da Operação: o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM), a Polícia Militar Ambiental do Mato Grosso do Sul, os Corpos de Bombeiros do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, o Serviço Social do Comércio (SESC) do Mato Grosso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Brasil de Fato alerta para o avanço do desmatamento na região

No último dia 11 de setembro foi comemorado o Dia do Cerrado, porém, com toda a riqueza natural que abriga mais de 11 mil espécies de plantas e 2.500 espécies de animais, a data marca uma realidade difícil de ser celebrada. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, foram registrados mais de 21 mil focos de queimadas entre os meses de janeiro e agosto, a maior destruição do bioma já registrada.

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, e está sendo substituído pela monocultura e pecuária, que provoca desmatamento, queimadas, contaminação do solo e violência contra os povos que preservam a vegetação. O diretor do Instituto Cerrados, Yuri Salmona, expõe o contexto preocupante.

“Na época da seca temos uma série de incêndios, que muitas vezes são criminosos. Quase a totalidade do cerrado foi destruída para a agropecuária, especialmente a pastagem. O setor é responsável por cerca de 96% do desmatamento no Cerrado dos 48% do que já foi desmatado, porque o bioma já tem metade da sua área toda desmatada, quase a totalidade foi destruída para a agropecuária", explica o ambientalista.

O Cerrado, que ocupa 22% do território brasileiro, segundo o Ministério do Meio Ambiente, é afetado diretamente pelo agronegócio, que utiliza o fogo na vegetação para expandir a produção. Salmona alerta que tem crescido a área de produção agrícola, principalmente, a de soja. "Infelizmente, depois que eles desmatam a área não tem grande produtividade. Nós temos cerca de 36 milhões de hectares no bioma de pastagens degradadas", afirma.

Para a conselheira da Rede de Sementes do Cerrado, Isabel Belloni, o Cerrado é visto no Brasil como "um espaço fácil de desmatar", por ser uma região plana, com poucas árvores e vegetação rasteira, mas principalmente pela falta de valorização e proteção.

“O Cerrado é visto como celeiro do mundo, começam a desmatar como se não tivesse nenhum valor, e plantam grandes commodities, que são produtos vendidos no mercado internacional, com preços sempre regulados por dólar e que raramente é alimento para a população brasileira", pontua ela.

Ativistas ambientais usaram a data para denunciar o desmatamento e reivindicar políticas agroecológicas. Hashtags, como Salve o Cerrado e Cerrado em extinção, tomaram conta das redes sociais nos últimos dias.

A reportagem do Brasil de Fato questionou o Ministério do Meio Ambiente sobre quais medidas de preservação estão sendo tomadas para conter o desmatamento e não obteve resposta até o momento.

Fontes

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